Qual a solução para um atleta craque de treino não amarelar em decisões?

Roberto Shinyashiki

Roberto Shinyashiki

Nas próximas semanas vão acontecer em todo o mundo competições individuais para definir as últimas vagas para as Olimpíadas de Londres 2012. Para vários atletas essa vai ser a última chance de participar dessas Olimpíadas. Uma boa parte deles já atingiu as marcas que precisavam para conquistar a vaga, mas essas conquistas não foram válidas para a sua classificação. E você pode estar perguntando: Por que, apesar de terem conquistado as marcas exigidas, eles não conseguiram a vaga para as Olimpíadas?

Porque essa marca foi conseguida em um treino e não em competições oficiais!

Esse é um dos maiores desafios para muitos atletas no mundo inteiro: realizar em uma competição oficial uma performance que eles já conseguiram em treinamentos.

O peso da responsabilidade de ter de conseguir um resultado na hora da decisão faz com que muitas atletas deixem que a pressão psicológica trabalhe contra suas metas.

Nesse momento muitos ficam cansados por tanta tensão, alguns querem mudar uma estratégia que foi treinada à exaustão enquanto outros simplesmente “amarelam”. Para estes, a insegurança toma conta do cérebro e as reações do sistema nervoso bloqueiam a sua performance. O medo de não conseguir realizar sua meta e perder os patrocínios, ser criticado e perder as oportunidades, faz com que muitos atletas deixem de conseguir realizar o seu melhor nos momentos decisivos.

A tensão faz com o cérebro produza desequilíbrios no funcionamento do organismo e gere ansiedade, com vários sintomas como, por exemplo: irritação, apatia, brigas com pessoas da equipe por motivos fúteis, tonturas, dores musculares, insônias, sonolência diurna, sensação de falta de ar, secura bucal, crises de suor, tremor, diarreia, agitação psicomotora e, às vezes, ataque de pânico em que o atleta perde o controle dos seus pensamentos.

Essa situação produz o que chamamos de "ansiedade antecipatória”, em que os pensamentos do atleta são tomados por medos de que tudo dê errado.

O tempo todo ele fica se perguntando “E se...?”

E se eu não me classificar?

E se eu perder o jogo?

E se a torcida me vaiar?

Nessa situação, o atleta dirige a sua energia para controlar os seus nervos em vez de direcioná-la para competir com o seu adversário. Essa é uma das principais razoes para um favorito não exercer o seu favoritismo: não aguentar pressão. Nós vamos conversar mais sobre esse tema em nossos próximos artigos.

Um bom trabalho de preparação mental em conjunto com o treinamento técnico tem como objetivo preparar o atleta para lidar com essa pressão.

Ajudá-lo a ficar focado o tempo todo nos seus objetivos e não deixar que seus nervos atrapalhem a sua  performance.

Quando o atleta está em estado mental de alta performance ele consegue com tranquilidade realizar na competição o que consegue fazer nos treinos, e até mesmo mais.

Quando o atleta está com o estado mental bem preparado, a adrenalina do momento da competição trabalha a seu favor.

Roberto Shinyashiki

Psiquiatra com pós-graduação em Administração de Empresas e doutorado em Administração e Economia, viaja o Brasil e o mundo fazendo palestras, conduzindo seminários e atuando como consultor para empresários, políticos e esportistas. É autor de vários best sellers, entre eles “Sucesso É Ser Feliz” e “Problemas? Oba!” e já vendeu mais 6 milhões de livros.

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