As expectativas do atletismo brasileiro nos Jogos Olímpicos de Londres

Cleber Guilherme

Cleber Guilherme

  • FLAVIO FLORIDO

    As corredoras Rosângela Santos e Franciela Krasucki conversam durante treinamento no Crystal Palace

    As corredoras Rosângela Santos e Franciela Krasucki conversam durante treinamento no Crystal Palace

O atletismo brasileiro iniciará, nos próximos dias, aquela que pode ser uma de suas melhores campanhas da história dos Jogos Olímpicos. Quando falamos em melhor campanha, não significa apenas mais medalhas. Em termos de medalhas, se analisarmos de forma fria, não devemos passar de um ou dois pódios, na melhor das hipóteses. Mas se é assim, como falar que esta pode ser a melhor participação do atletismo brasileiro em Jogos Olímpicos?

Devemos analisar outros itens que geralmente são esquecidos. A equipe brasileira apresentará novos atletas, com um futuro promissor em várias provas. Atletas que chegarão a 2016 com mais chances de brigar por medalhas. Haverá ainda, se tudo der certo, mais atletas brasileiros nas finais disputadas em Londres, do que em Pequim. Além disso, teremos mais atletas com chances de, pelo menos, lutar por medalhas. É o caso do salto em distância feminino e masculino, do salto com vara feminino, do revezamento masculino e feminino, e da maratona masculina.

Hoje contamos com um apoio muito maior aos atletas que vão a Londres, tanto do ponto de vista governamental, como da própria Confederação Brasileira de Atletismo. Por outro lado, devemos lembrar que este apoio ainda é muito pequeno, principalmente quando nos lembramos das centenas de jovens atletas talentosos espalhados pelo país, mas que muitas vezes não possuem dinheiro para sequer se deslocar a um centro de treinamento.

Não podemos negar que, nos últimos anos, há um esforço por parte da Confederação Brasileira e das federações estaduais de atletismo para que jovens atletas sejam incentivados a praticar esta modalidade. Mas pouco se tem feito no local onde os atletas surgem: a escola. Ainda estamos muito longe do ideal nesse aspecto. Somente poderemos sonhar com mais medalhas, se tivermos uma renovação constante de atletas. E esta renovação passa, obrigatoriamente, pela maior valorização do esporte praticado nas escolas.

A Jamaica, tão comentada nos Jogos Olímpicos de 2008 pela sua participação vitoriosa, possui uma estrutura esportiva escolar muito bem organizada. Só o grande campeonato escolar de atletismo, por exemplo, é realizado há mais de cem anos neste país.

Por mais que a Confederação, as federações e os clubes busquem descobrir novos talentos através de processos seletivos próprios, é na escola onde há a maior concentração destes talentos. O dia em que tivermos uma maior valorização e mais investimentos – públicos e privados – no esporte escolar e nos milhares de professores de educação física que atuam nas escolas, deixaremos de ser um país que a cada ciclo olímpico sonha apenas com uma ou duas medalhas no atletismo.

Cleber Guilherme

É técnico especialista em corrida de rua desde 1994. Treinador Nível 4 pela Iaaf (Associação Internacional de Atletismo), atua como treinador de atletismo do Centro de Excelência Esportiva do Ibirapuera e do Clube dos Paraplégicos de São Paulo. É professor universitário da UNIP e FMU, além de comentarista de atletismo ESPNBrasil, BandsSports e colunista do site runningnews.

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