Quase um ano depois de ser cortado da seleção brasileira masculina de vôlei, e às vésperas dos Jogos Olímpicos de Pequim, o levantador Ricardinho voltou a falar. Em entrevista publicada na edição de julho da revista
Um, o ex-capitão da seleção foi categórico sobre o seu sentimento em relação ao técnico Bernardinho. "O Bernardinho é uma pessoa que morreu para mim", disse.
Ricardinho foi cortado da seleção brasileira na semana entre a final da Liga Mundial e o início dos Jogos Pan-Americanos de 2007. Na ocasião, o técnico Bernardinho alegou um "desgaste" entre as partes para justificar a saída do jogador.
A saída de Ricardinho aconteceu após uma reunião entre o técnico e os jogadores em um hotel no Rio de Janeiro. Cortado do grupo, o levantador afirmou na época ter sido "traído". Hoje, Ricardinho revela que tem pouco contato com os outros atletas. E que trata apenas de assuntos profissionais.
"Agora no Treviso, com o Gustavo, será estritamente profissional. Não adianta falar que vou sair para jantar com ele porque isso não vai rolar. Mas, na quadra, jogamos juntos, não há qualquer problema", disse o levantador à
Um.
A saída da seleção acabou também com a amizade de Ricardinho com o ponta Giba. "Não somos mais amigos, agora é tudo no profissional. Eu acreditava que ele deveria ser o cara que tinha de apontar o que fiz de errado, o que o Bernardo fez de errado. E todo mundo errou. No começo foi a pessoa que me deixou chateado, mas agora, com calma, entendo que essa é a personalidade dele, em cima do muro. Não poderia esperar do Giba essa reação porque é o jeito dele. Ele não era o amigo que eu pensava que ele fosse."
Sobre a seleção ou o relacionamento com Bernardinho, Ricardinho admite não existir nenhuma esperança de retorno. "Para mim essa história já deu muito o que falar. Passei por muita tristeza, sofri para caramba. Se ele me ligar querendo resolver o caso, simplesmente vou responder 'não quero, muito obrigado'", disse.
Mas, mesmo de longe, Ricardinho avisa que vai torcer para o Brasil ganhar a medalha de ouro nas Olimpíadas de Pequim. "Daqui a pouco vão falar que eu torço contra a seleção. Isso não existe! Torço sempre por ela. Quero um pouco de paz. Na verdade, agora posso dizer que estou tranqüilo. E não tem por que me colocar como vilão", finalizou o levantador campeão olímpico em Atenas-2004.