Magnano contradiz dirigente sobre convocação de Nenê e Leandrinho: "Nem minha mulher sabe"

Daniel Neves e Bruno Freitas
Do UOL, em São Paulo

Presidente da CBB, Carlos Nunes afirmou na semana passada que Nenê e Leandrinho serão convocados para a Olimpíada de Londres-2012. O dirigente, porém, parece ter se esquecido de avisar ao técnico Rubén Magnano. Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, o treinador mostrou-se surpreso com as declarações, afirmou nunca ter conversado com o cartola sobre o assunto e manteve o mistério sobre a participação dos atletas da NBA.

“Será que ele pegou um curso de adivinho? Se ele pegou um curso de adivinho, está adivinhando e lançou isso. Nem a minha esposa, que está comigo há muito tempo, sabe quais são os nomes que vou pôr na lista. Ninguém sabe, somente eu”, disse o argentino.

A polêmica sobre a presença de Nenê e Leandrinho, que pediram dispensa do Pré-Olímpico das Américas, voltou à tona com as declarações de Carlos Nunes. Em entrevista à EPTV, o dirigente confirmou um torneio preparatório em São Carlos e afirmou que os dois atletas da NBA seriam convocados para a seleção.

Magnano diz que ainda não fechou a convocação que será divulgada no dia 17 de maio, mas pretende trabalhar com 15 ou 16 jogadores. Satisfeito por participar de sua terceira Olimpíada, o treinador evita fazer prognósticos ou falar na conquista de uma medalha. O argentino, porém, prevê uma equipe competitiva e ‘mais leve’ com o fim da pressão pela classificação para os Jogos. Confira como foi a entrevista com o técnico da seleção brasileira:

  CARTOLA 'REVELA' CONVOCAÇÕES

  • A seleção brasileira masculina de basquete deve contar com os retornos de Nenê Hilário e Leandrinho para a disputa da Olimpíada de Londres-2012. O presidente da CBB, Carlos Nunes, confirmou nesta quarta-feira que os dois atletas estarão na lista de convocados pelo técnico Rubén Magnano no dia 17 de maio.

    “Com a integração de Nenê, Leandrinho, Varejão, Splitter e Marcelinho Huertas, vamos formar uma equipe com competência para buscar o ouro”, disse o dirigente em entrevista à EPTV.

UOL Esporte - Faltando menos de um mês para a convocação, a lista já está fechada?
Rubén Magnano: Tenho uma ideia bastante clara do que vai acontecer com a convocação, mas ainda temos que jogar com algumas variáveis. Temos um calendário muito ruim para a preparação. Uma coisa que sempre gostei foi que os jogadores tivessem um tempo de repouso antes de iniciar o trabalho na seleção e neste ano não teremos essa possibilidade com muitos atletas.

O número de jogadores [da convocação] deve ficar entre 15 e 16 atletas. Quando posso, gosto de trabalhar com 16. Mas se são 17, 18 ou 14 jogadores, se trabalha do mesmo jeito. Posso chegar a isso ao convidar alguns atletas que quero, para olhar futuros jogadores da seleção.

Em entrevista recente, o presidente Carlos Nunes disse que Nenê e Leandrinho serão convocados. Você confirma essa informação?
Acho que ele não teve a intenção de falar sobre isso propriamente. Ele jamais me falou uma coisa assim, nem me falaria uma coisa assim. Como apaixonado do basquete ou torcedor, ele poderia falar isso. Não sei o que passou por sua cabeça, mas não tenho problema com isso. Ele nunca me falou sobre isso, então é impossível falar.

Infelizmente, assim que acabou o Pré-Olímpico muitos perguntaram sobre isso, mais até do que sobre a vaga que tínhamos acabado de conquistar. Agora está certo, estamos muito mais próximos da convocação, é preciso falar isso. Mas no momento me pareceu deslocada, de não valorizar o que havia sido conquistado.

Se vocês não conversaram sobre este assunto, de onde o presidente tirou essa informação?
Será que ele pegou um curso de adivinho? Se ele pegou um curso de adivinho, está adivinhando e lançou isso. Nem a minha esposa, que está comigo há muito tempo, sabe quais são os nomes que vou pôr na lista. Ninguém sabe, somente eu.

Nem Vanderlei, que é a pessoa que está sempre ao meu lado, ninguém sabe. Fazemos avaliações constantemente, mas jamais falei para Carlinhos ou ele falou para mim um nome. Acho que, como treinador, tenho um pouco do direito de escolha. Eles sabem como eu atuo.

Você pretende consultar os líderes do grupo antes de definir os convocados?
Não, eles têm outra responsabilidade. Posso ouvir, não tenho problema, mas o jogador tem uma óptica da situação e o treinador tem que tomar uma decisão final de acordo com a sua óptica.

Rubén Magnano
Rubén Magnano

Com o fim da pressão pela conquista da vaga olímpica, a equipe chega ‘mais leve’ em Londres?
Geralmente os torneios classificatórios tem uma pressão maior, pois se você não classifica, fica fora. Agora eles vão desfrutar do direito que ganharam. Além disso, temos um número de jogadores que já tem uma experiência internacional importante e vão aos Jogos com confiança. É um momento para desfrutar plenamente.

Com comparação com os possíveis adversários, em que estágio o Brasil chega à Olimpíada? É possível sonhar com uma medalha?
Vamos enfrentar os melhores do mundo, é um torneio muito difícil. Mas acho que a equipe vai competir bem. Sem dúvida teremos uma equipe muito competitiva. Falar de uma medalha é o meu sonho, como é o sonho de todos os basqueteiros do Brasil. Mas estaria mentindo se dissesse que, com certeza, pegaremos uma medalha. Não gosto disso, nem de criar expectativas.

Como você avalia o apoio da classe do basquete aqui no Brasil? Tem encontrado incentivo de gerações anteriores, como o grupo bicampeão mundial e a geração de Oscar Schmidt?
Não tive oportunidade de falar com muitos deles, apenas com alguns. Não senti nenhum confronto, nada. Mas acho que um estrangeiro, ainda mais um argentino que vem trabalhar no Brasil em um esporte com tanta história, traz um ciúme. É uma coisa lógica e natural. Tenho que ter a capacidade para reagir nessas situações, não posso perder meu foco por isso.

O que espera tirar da equipe neste amistoso contra os EUA antes dos Jogos? Como ele pode ser benéfico na reta final de preparação?
Estão tratando esse jogo como se fosse uma coisa... É só mais um jogo da preparação. Eles farão seu trabalho e faremos o mesmo, não muda absolutamente nada. Espero que a essa altura a equipe esteja com a preparação próxima do ideal, para confrontarmos duro com uma equipe como a americana. Não fico pensando nos Estados Unidos, mas sim no dia 27 [de julho], quando a bola subir contra o primeiro rival [na Olimpíada].

O sorteio dos grupos da Olimpíada será nesta semana. Tem alguma preferência? Torce para fugir de alguém?
Sinceramente não fico pensando nisso. Claro que o sorteio pode favorecer e tomara que favoreça a gente. Mas se você quiser competir duro, terá que encontrar e jogar contra os melhores. Não fico desgastando a cabeça pensando nos rivais. Minha experiência me fala que você tem que ganhar do rival que tem na frente, senão vai embora.

A última vez que você disputou uma Olimpíada foi em 2004, quando conquistou o ouro com a Argentina. Qual a sensação de voltar a participar dos Jogos?
Tive a felicidade e a alegria de viver duas Olimpíadas. É um momento único, é como tocar o céu com as mãos. Você convive e mora com os melhores do mundo em todas as modalidades. Não temos outra ocasião para viver uma situação dessa maneira. É uma coisa muito colorida, bonita, que devemos aproveitar para passar para os futuros atletas.

Tem alguma superstição que deu certo na conquista da medalha de ouro com a Argentina e que pretende repetir em Londres? Voltará a vestir terno, como no Pré-Olímpico?
Não sou supersticioso. Talvez minha superstição seja não ser supersticioso. Eu gosto do terno, pois é uma coisa elegante e dá uma boa apresentação, mas teve a ver com a temperatura de Mar del Plata. Nos Jogos Olímpicos não se usa terno, vou usar o uniforme da delegação.

Logo após a conquista da vaga olímpica, você disse que dirigir a seleção brasileira era o maior desafio da sua carreira. Você ainda tem essa sensação?
É um dos maiores. Não sei se posso falar em maior, mas é um grande desafio. Não somente ir à Olimpíada, mas também trabalhar no basquete brasileiro de todos os jeitos. Me sinto muito comprometido com isso, estou fazendo tudo o que posso fazer. Mas sem dúvida que fazer um bom trabalho na Olimpíada vai ajudar muito mais.

Como está a questão da sua renovação contratual? Houve algum avanço?
Arrumamos uma data para que meu agente viaje para ver se pode arrumar tudo o que tenha a ver com meu futuro contrato. Acho que está indo por um bom caminho. Falei aos dirigentes da CBB que estou muito feliz com o que está acontecendo. Me trataram muito bem, criaram um clima de trabalho muito bom. Se chegarmos a um acordo, continuaremos por mais um tempo.



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