Caminho do MMA até Olimpíada passa por luta olímpica e distanciamento do UFC

Bruno Doro
Em Guadalajara (México)

  • Andy Clark/Reuters

    Adrian Jaoude (d) é o maior nome da luta livre no Brasil atualmente

    Adrian Jaoude (d) é o maior nome da luta livre no Brasil atualmente

Nada de Anderson Silva ou José Aldo. O caminho para que o MMA vire uma modalidade olímpica está bem longe do glamour e do dinheiro dos mega-eventos do UFC. Desde o início do ano, a Federação Internacional de Lutas (Fila) abraçou o vale-tudo, no primeiro passo para que as artes marciais mistas alcance o status olímpico.

JAOUDE, 10 VITÓRIAS NO MMA, PEDE JIU-JITSU SEM QUIMONO

  • Folhapress

    Apesar da visibilidade e de seu sucesso no MMA, o brasileiro Antoine Jaoude faz campanha para outro estilo entrar no currículo olímpico: o grappling. A modalidade é uma espécie de jiu-jitsu sem quimono, em que os brasileiros são os melhores do mundo.

    “Seria uma alternativa muito mais interessante para o Brasil. No grappling, nós somos como a Rússia no wrestling, os melhores do mundo, admirados por todos. Imagina só a Kyra Gracie ou o Roger Gracie lutando aqui. É a mesma coisa que colocar os russos disputando o Pan”, opina Antoine.

    Ícone da luta olímpica no Brasil, Jaoude também tem um currículo considerável no MMA. Ele tem 14 lutas e dez vitórias. Seu único nocaute foi sofrido contra Roy Nelson, o gordinho do UFC, que venceu o reality show The Ultimate Fighter.

Em março, a Fila incluiu a disciplina em suas discussões e criou uma comissão para estabelecer regras factíveis para a modalidade. Para que a entrada nos Jogos fique mais próxima, a escolha foi usar o mesmo formato do boxe: no lugar de lutadores profissionais, amadores. E nada de golpes diretos na cabeça. Como no boxe olímpico, os atletas usam protetores na cabeça – e ainda ganham proteção nas pernas. Além disso, alguns golpes permitidos no MMA profissional são proibidos, como certas cotoveladas.

“Ainda é um processo longo, mas esse é o caminho. Sabemos que a inclusão de uma modalidade nova é complicada, então entrar em um esporte que já é olímpico é uma alternativa. Já falaram sobre a inclusão do grappling (espécie de jiu-jitsu sem quimonos), cogitaram a exclusão de alguns pesos da greco-romana. O MMA amador entra nessa mesma discussão”, diz Elisio Macambira, presidente da Confederação Brasileira de MMA e vice-presidente da CBLA (Confederação Brasileira de Lutas Associadas).

Apesar da ligação de Macambira com a CBLA, no Brasil as duas lutas são tratadas de forma diferente. “A popularidade do MMA é boa para a luta olímpica, trás visibilidade e novos praticantes. Mas não temos nenhuma ligação com o esporte ou com os eventos”, admite Pedro Gama Filho, presidente da entidade e fã confesso do MMA.

MMA AMADOR VISA OLIMPÍADAS
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Entre os atletas de luta olímpica, a possibilidade é tratada com cuidado. “Eu sou a favor, desde que as outras modalidades não sofram corte de gastos com isso. Que o investimento seja paralelo. Não concordo em tirar dinheiro de um atleta olímpico para promover o MMA amador”, opina Antoine Jaoude, maior nome da luta livre no Brasil atualmente.

“Atletas de MMA usam o wrestling [luta olímpica, em inglês] como complemento ao treinamento. Eu fazia o contrário. Como o MMA é profissional, luto para poder continuar no wrestling. Na luta, são dois campeonatos por ano. Então, usava outras modalidades para manter o ritmo de combate”, completa Jaoude.



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