Maior jogadora da história do futebol feminino, Marta tenta 1º grande título pela seleção

Daniel Gallas
Da BBC Brasil, em Cardiff (País de Gales)

  • Odd Andersen/AFP Photo

    Eleita por cinco vezes consecutivas a melhor jogadora do mundo, Marta busca título importante pelo Brasil

    Eleita por cinco vezes consecutivas a melhor jogadora do mundo, Marta busca título importante pelo Brasil

A seleção feminina de futebol do Brasil dá início nesta quarta-feira à participação do Brasil nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, em partida contra Camarões no Estádio Millenium de Cardiff, no País de Gales.

Em campo, a maior atleta da história do futebol feminino, a atacante Marta, de 26 anos, tenta superar o trauma do Brasil nas últimas duas Olimpíadas, quando a equipe perdeu na final e ficou com a medalha de prata.

A atacante brasileira foi eleita por cinco vezes consecutivas – entre 2006 e 2010 – a melhor jogadora de futebol feminino do mundo pela Fifa. Mas apesar do amplo reconhecimento no esporte, a atleta nunca conseguiu ganhar os dois principais torneios do futebol feminino: a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.

Marta
Marta

Marta foi um dos destaques do Brasil na campanha em Pequim 2008, quando a seleção acabou derrotada pelos Estados Unidos na final, durante a prorrogação. Em Copas do Mundo, o Brasil só conseguiu chegar a uma final, em 2007, contra a Alemanha. Na ocasião, o Brasil acabou derrotado por 2 a 0 e Marta perdeu um pênalti.

Ascensão do Japão

Marta e a seleção brasileira de futebol chegam a Londres 2012 ainda na lista de favoritas, junto com seleções como Japão e Estados Unidos, mas sem muito do brilho do passado.

Na Copa do Mundo do ano passado, disputada na Alemanha, a seleção feminina vencia por 2 a 1 os Estados Unidos até os descontos da prorrogação, quando permitiu o empate. Nos pênaltis, a zagueira Bagé – que havia feito um gol contra na partida – perdeu sua cobrança e as brasileiras foram eliminadas ainda nas quartas-de-final pelas tradicionais algozes.

Marta viu-se ultrapassada no quadro de artilheiras pela japonesa Homare Sawa, que acabou vencendo a competição. No final do ano, Sawa foi eleita a melhor atleta do mundo pela Fifa, quebrando uma sequência de cinco anos de Marta no topo.

Apesar da concorrência internacional, a jogadora segue sendo fundamental para a seleção brasileira. Em abril, o técnico Jorge Barcellos não pôde contar com Marta – que tinha compromissos com seu clube sueco – na Copa Kirin, disputada no Japão, e o Brasil acabou goleado por americanas e japonesas.

No último torneio preparativo aos Jogos de Londres, a Copa da Suíça, disputada no começo do mês, a atacante brilhou e deu os dois passes nos gols da vitória do Brasil por 2 a 1 contra o Canadá, na final.

Rodagem

Nos últimos quatro anos, a atacante rodou por diversos clubes no Brasil e no exterior. Nos Estados Unidos, ela atuou pelo Los Angeles Sol, FC Gold Pride e Western New York Flash. No Brasil, ela teve duas passagens pelo Santos.

A grande rodagem da melhor jogadora do mundo de futebol no período é uma mostra das dificuldades que o futebol feminino encontra em todo o mundo, não só no Brasil. Dos quatro times por onde passou, apenas um deles segue operando, e com dificuldades financeiras.

O Los Angeles Sol e o FC Gold Pride foram extintos por falta de condições financeiras. O Santos chegou a conquistar uma Taça Libertadores, com a ajuda de Marta, mas também fechou seu departamento feminino por falta de patrocinadores.

Apenas o Western New York Flash continua funcionando, mas o futuro do futebol feminino nos Estados Unidos é incerto. No começo do ano, a liga nacional foi extinta – também por problemas financeiros – e alguns clubes estão agora estudando como continuar com o campeonato nacional.

Marta voltou à Suécia, onde havia atuado por quatro anos antes dos Jogos de Pequim 2008. Desde o começo de 2012, ela atua pelo Tyreso FF em uma das ligas mais organizadas do mundo.

Adversárias em apuros

Para Marta voltar ao topo e o Brasil conquistar seu primeiro grande título no futebol feminino, a seleção terá que passar por Camarões, Nova Zelândia e Grã-Bretanha na primeira fase. As duas primeiras colocadas no grupo têm vaga garantida nas quartas-de-final.

A seleção masculina de Camarões conquistou o ouro nos Jogos de Sydney 2000, mas esta é a primeira participação da equipe feminina, que conquistou o principal torneio africano de futebol feminino no ano passado.

As principais rivais do Brasil no grupo são as britânicas, que jogam em casa. Além disso, a base da seleção da Grã-Bretanha é a Inglaterra, que foi a única equipe que conseguiu derrotar o Japão na Copa do Mundo no ano passado.

Caso as brasileiras avancem, Japão e Estados Unidos são os principais obstáculos no caminho do Brasil rumo ao ouro. Mas as duas equipes chegam ao torneio com dificuldades.

Muitas das jogadoras americanas ainda não sabem o que farão depois das Olimpíadas, já que a liga profissional de futebol feminino foi extinta nos Estados Unidos este ano. Além disso, a goleira Hope Solo - um dos destaques do time - recebeu uma advertência por ter sido flagrada no anti-doping.

Já a Nadeshiko - como é conhecida a seleção do Japão (Nadeshiko é uma espécie de cravo cor-de-rosa que simboliza beleza no país) - chega ao torneio com sua principal estrela voltando de problemas médicos.

Após a Copa do Mundo de 2011, Homare Sawa, que desbancou Marta na votação da Fifa, foi diagnosticada com vertigem e ficou quatro meses afastada dos campos. A doença é benigna, mas provoca tonturas e impossibilita atividades físicas. No mês passado, com Sawa em campo, mas ainda não na sua melhor forma, as japonesas foram goleadas por 4 a 1 pelas americanas.

Na véspera do torneio, o Brasil também sofreu um revés. A lateral Elaine Moura, que atua no Tyreso junto com Marta, não se recuperou de uma contusão muscular e foi cortada. Para seu lugar, foi chamada Danielli Pereira.



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