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Paes muda discurso e desapropria sem acordo casa de vizinhos da Rio-2016

Vinicius Konchinski

Do UOL, no Rio de Janeiro

A tolerância da Prefeitura do Rio de Janeiro com os moradores da Vila Autódromo acabou. Após anos de pressão e discussões para a remoção de famílias do bairro vizinho ao futuro Parque Olímpico dos Jogos de 2016, o prefeito Eduardo Paes decidiu desapropriar - com urgência e sem acordo - 58 imóveis do local para abrir espaço para obras necessárias para a Olimpíada.

Um decreto assinado pelo prefeito declarando casas da Vila Autódromo como de “utilidade pública” foi publicado na quinta-feira (19). Entre os imóveis desapropriados está o da sede da Associação dos Moradores da Vila Autódromo, entidade que há anos organiza a resistência de moradores do bairro contra a sua extinção.

A desapropriação via decreto contraria a promessa do próprio prefeito Paes a moradores da Vila Autódromo. Em reuniões com membros da comunidade e à imprensa, Paes declarou por mais de uma vez que só sairia da Vila Autódromo quem quisesse. Aos interessados, o município oferecia uma apartamento ou indenização.

Marcia Lemos é moradora da Vila Autódromo há dez anos e já esteve em reuniões com representantes da prefeitura. Nunca quis sair da casa onde vive. Na quinta-feira, porém, teve seu imóvel desapropriado por Paes.

“Já fui chamada na prefeitura para conversar. Não aceitei sair. Agora, tive minha casa desapropriada”, afirmou Marcia, revoltada com a decisão do prefeito. “Sabíamos que o que ele dizia não era verdade. Está aí o resultado”.

“Eu nunca quis sair”, complementou Maria da Penha Macena, outra moradora da Vila Autódromo cuja casa foi desapropriada. “Eu sequer fui avisada que tive minha casa incluída nesse tal decreto. Só fiquei sabendo por outros moradores da desapropriação. Não quero sair.”

Procurada pelo UOL Esporte, a Prefeitura do Rio de Janeiro confirmou a desapropriação sem acordo na Vila Autódromo. Disse que ela é necessária para obras de canalização de rios e da duplicação das Avenidas Salvador Allende e Abelardo Bueno, que dão acesso ao Parque Olímpico. Sem acordo, a indenização pela desapropriação dos imóveis terá seu valor definido na Justiça.

Sobre as promessas anteriores do prefeito, não houve pronunciamento da prefeitura.

Na sexta-feira (20), o secretário municipal de Coordenação de Governo, Pedro Paulo, foi questionado sobre a Vila Autódromo. Ele disse que, até onde sabia, só moradores que aceitassem sair seriam removidos.

A Vila Autódromo existe desde 1960 e recebeu este nome justamente por estar ao lado do antigo Autódromo de Jacarepaguá. É no terreno do autódromo que está sendo construído o Parque Olímpico.

No bairro, segundo a SMH (Secretaria Municipal de Habitação), moravam 583 famílias até o início das remoções promovidas pela prefeitura. Para as obras necessárias para a Olimpíada, 280 precisariam sair.

No início de 2014, a SMH disse que 452 famílias da Vila Autódromo queriam deixar o bairro. No mesmo mês, essas pessoas começaram a mudar-se. Contudo, muitas famílias ficaram e resistiram a negociar sua mudança com a prefeitura.

A SMH informou já que a remoção da Vila Autódromo é a única ligada à realização da Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada de 2016. De acordo com o órgão, nenhum outro reassentamento foi ou será causado pelos megaeventos esportivos.

Segundo o Dossiê Megaeventos e Violações de Direitos Humanos no Rio de Janeiro, contudo, o número de famílias do Rio já removidas ou ameaçadas por remoções supera 8 mil. Segundo o dossiê, 500 famílias terão de deixar a Vila Autódromo. 

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