Vôlei de praia

"Exportados" ajudam a complicar vida de duplas do Brasil no vôlei de praia

AP Photo/Petr David Josek
Pedro Solberg mergulha para devesa em derrota contra Cuba da dupla brasileira imagem: AP Photo/Petr David Josek

Pedro Ivo Almeida

Do UOL, no Rio de Janeiro

Pressionados após duas derrotas, Evandro e Pedro Solberg entram em quadra nesta quinta-feira (11) lutando para evitar aquele que pode ser o pior resultado do Brasil na história do vôlei de praia olímpico: uma precoce eliminação na primeira fase. Um tropeço diante dos fortes Samoilovs e Smedins, da Letônia, mancharia a história de uma modalidade dominada por anos pelos brasileiros.

E a situação delicada de Evandro e Pedro não chega a ser um fato isolado para o país na Rio-2016. Se antes o vôlei de praia era visto com otimismo pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil) e tentava confirmar a projeção de quatro medalhas - duas no masculino e duas no feminino -, a primeira fase foi de preocupação. Com exceção das favoritas Talita e Larissa, todas as outras duplas postulantes ao pódio perderam ao menos um jogo.

O cenário de derrotas no início do torneio - tradicionalmente mais tranquilo - impressiona, mas pode ser explicado por alguns fatores. Entre eles, um curioso: a ascensão de rivais e a dificuldade do Brasil tem a contribuição justamente de brasileiros. Sim. O aumento considerável de treinadores nacionais em outras equipes deixou países antes desacreditados em nível parecido de competição.

"Acabou o tempo em que um país dominava. Tivemos os Estados Unidos nos anos 90, O Brasil passou a dividir a cena com os Estados Unidos nos anos 90, depois começou a ganhar tudo no masculino. Isso acabou hoje. Pode ganhar aqui ou ali, mas a disputa é dura. E não adianta achar que a culpa é dos brasileiros. Tem mérito de quem resolveu trabalhar e investir do outro lado", explica Paulo Roberto Moreira da Costa, o Paulão, que hoje trabalha com duplas masculinas italianas e está nas Olimpíadas.

Além dele, Luciano Manhães, na equipe russa, Adriana Bento, com o Canadá, Lisandro Carvalho, também com a Itália, Pedro Paulo, no Catar, Eduardo Garrido, com equipes chilenas, Márcio Scioli, técnico dos Estados Unidos, e Marco Teixeira, que comanda a Áustria, compõem o "exército" que deixou os jogos nas areias mais difíceis para os atletas brasileiros.

"Os outros países tinham muita força e vontade, mas não tinha a técnica que se via entre os brasileiros. Resolveram apostar em treinadores daqui nos dois últimos ciclos olímpicos. Levamos nossa filosofia, aprimoramos questões técnicas e igualamos o jogo. O resultado está aí. Os brasileiros, assim como os americanos, ainda são muito fortes. O talento é natural aqui. Mas a coisa tende a ficar mais equilibrada", explicou Paulão.

Se Evandro e Pedro Solberg tentam evitar o fracasso nesta quinta, os Estados Unidos não conseguiram isso na última quarta (10). Casey Patterson e Jake Gibb perderam para a dupla da Espanha Collado e Allepuz e amargaram a primeira eliminação americana na fase inicial na história da modalidade - disputada desde Atlanta, 1996. 

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