Judô

Para não desistir do judô, Rafaela imaginou como seria ver Rio-2016 do sofá

Bruno Doro

Do UOL, no Rio de Janeiro

Em 2012, Rafaela Silva estava pronta para deixar o judô. Ela era vice-campeã mundial e acabava de estrear nos Jogos Olímpicos. Mas não acreditava mais no esporte. Após ser eliminada em Londres-2012, leu o que não devia em redes sociais. “Falaram que eu era uma vergonha para minha família. Que lugar de macaco era na jaula e não nas Olimpíadas”, lembra.

Estava decidida a descer do tatame e nunca mais olhar para trás. Até que uma coach esportiva, que fazia trabalho voluntário no Instituto Reação, a ONG que formou a judoca, a colocou para imaginar uma cena: “Ela tinha de visualizar ela mesma em quatro anos, assistindo aos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, pela TV. Com outras atletas competindo”, conta Nell Salgado.

Naquele momento, a garota da Cidade de Deus, que aprendeu a se defender brigando e que tornou a agressividade seu meio de vida, chorou. E foi esse choro que deu ao país sua primeira campeã olímpica da Rio-2016. “Como ser humano, ela evoluiu muito desde aquele dia. Ela vem de uma realidade muito complicada. Aprendeu a se defender de maneira agressiva. Mas aos poucos, ela entendeu que não precisava ser assim. Ela pode guardar esse personagem só para quando subir no tatame”, explica Nell.

O impacto da psicóloga na vida da atleta foi tão grande que falou dela em todas as entrevistas que deu após ganhar a medalha. “Eu conheci uma coach, a Nell Salgado, que trabalha como voluntária no Reação. Comecei a fazer o trabalho dela e ela me fez uma simples pergunta: se eu me imaginava fora do judô. Foi aí que caiu minha ficha e voltei a treinar”, admite Rafaela. “Acho que o judô é minha vida. Eu comecei com cinco anos, ainda sem objetivo. Só queria brincar, como todas as crianças da minha idade. Mas quando comecei a levar a sério, ganhar as competições, vi que poderia ganhar uma Olimpíada, um Mundial. Agora, tenho todos esses títulos na minha carreira”.

As duas trabalharam juntas nos últimos quatro anos para esse dia. “A última vez que falei com ela foi ontem. Sai da Vila às 21h. E ali eu tinha certeza que ela iria vencer. Ela tinha incorporado o Zé Pequeno, como a gente fala”, brinca Nell. “E tinha o fator casa. A Rafa é uma pessoa que cresce com a pressão. Isso dá paz e tranquilidade para ela. Tanto que ela comprou muitas entradas para o pessoal do Reação apoiá-la. É uma ligação muito forte”.

Apesar de adorar lutar em casa, a própria Rafaela admitiu uma tática para não ser tão afetada pela torcida: sempre que entrava para lutar, abaixava a cabeça. “Não queria ver ninguém na arquibancada, para que nada me abalasse. Só vi minha irmã na premiação. Ela chegou até o túnel, me deu um abraço e não conseguiu falar nada. Só chorou”.

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