! Comida do Parque Olímpico está "perdendo a guerra" para quentinhas da Barra - 06/08/2016 - UOL Olimpíadas

Olimpíadas 2016

Comida do Parque Olímpico está "perdendo a guerra" para quentinhas da Barra

Ana Cora Lima

DO UOL, no Rio de Janeiro

O que fazer com um vale refeição de R$ 20,00 nas mãos quando os 100 gramas de uma comida a quilo custam R$ 6,99, um sanduíche varia entre R$ 15,00 e R$ 25,00 e o preço mínimo de serviço a la carte dos restaurantes próximos está na casa dos R$ 30,00? Esse tem sido o drama diário das pessoas que trabalham dentro do Parque Olímpico, a maior instalação da Rio 2016, e que não levam comida de casa. Para não passar fome o dia inteiro, os trabalhadores recorrem às vendas de marmitas caseiras nas redondezas por R$ 10,00.

A pratica já virou tradição do local, desde as primeiras construções das arenas, mas nunca antes foi tão procurada e também oferecida. São carros e bicicletas que param ao longo das vias próximas da entrada principal do Parque com isopores cheios de marmitas. Além do preço ser o mesmo, o cardápio também é igual: arroz, feijão, salada e um tipo de carne. "Cada dia eu compro com um pessoal para não enjoar porque os temperos são diferentes. Essas quentinhas nos salvam! Tudo por aqui é muito caro e ninguém da organização teve a preocupação de dar boas condições para nós trabalhadores. Mas é aquela coisa, né? Quem precisa, se sujeita a qualquer coisa", contou uma vendedora da loja oficial do Jogos, que preferiu não se identificar com medo de ser demitida. "Ninguém pode dar entrevista sobre o trabalho", entregou.

Outros são mais corajosos e mais revoltados também. O intervalo de uma hora de almoço - eles andam muito para se deslocaram até às ruas -é queixa pequena frente ao fato de comer em pé ou então sentado nas calçadas e o que pior atrapalhando o caminho entre moradores de luxuosos condomínios que não gostam nada da cena. "É chato, é desagradável para eles e nós também. Acho que a organização e as firmas que também nos contratam deveriam ter pensado nisso", disse Wellington Fontes, que logo ganhou apoio de Dênis Santos: "Dá um desânimo".

Durante a reportagem, um trabalhador que pediu para não se identificado contou ao UOL Esporte, que além do desgaste da refeição, existe outro problema ainda mais grave para quem passa o dia inteiro trabalhando no Parque Olímpico: a água contaminada em alguns bebedouros. " Existe um cartaz em alguns desses bebedouros avisando sobre a proibição de beber a água e aí você tem que andar até achar outro liberado. Eles disseram que iam resolver há uma semana, mas até agora na boca do começo das competições a situação é a mesma". Outros trabalhadores confirmaram a história. " Aposto que vão deixar para resolver na última hora para não ficar feio para os torcedores e a imprensa aproveitar e cair de pau. Trabalhador é quem sofre mesmo com a desorganização".

Se as coisas não andam boas para um lado, o outro não tem o que reclamar dessa desorganização referente à alimentação . Os vendedores de marmitas estão satisfeitos com o lucro dos últimos dias. "Tenho um restaurante no Rio das Pedras e sou morador do Condomínio Rio 2 . Trago 60, no máximo 70 marmitas por dia porque tenho que correr para o meu estabelecimento e também faço isso para ajudar os colegas que também estão na batalha, precisam vender mais do que eu. Aqui todo mundo sai ganhando", assumiu o micro empresário que só disse o primeiro nome Carlos e explicou o motivo. "Nosso trabalho é ilegal. Se um morador ou mesmo um comerciante denunciar, levar a mercadoria e o de menos. O problema é ser preso. Fazemos isso porque a crise anda barba e um dinheiro a mais na conta sempre é  bem vindo".

Desempregada há quatro meses, Caroline Aquino resolveu arriscar no negócio com dois amigos, que trabalhavam na região e contavam a dificuldades de se comer por um preço justo. "Tivemos a ideia um tempo atrás e começamos a vender na porta mesmo do Parque Olímpico. Há duas semanas, a Guarda Municipal nos expulsou de lá e mudamos o local. Encontramos algumas pessoas que vendiam quentinhas com a gente e até apareceram novas pessoas vendendo comida também. Está tudo tranquilo e rezo para que esse movimento continue até o final do Jogos porque vai tirar um pouco do sufoco que todos aqui estamos passando.", finalizou.

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