Coluna

Roberto Salim

A correria de Yane Marques, a porta-bandeira do Brasil

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Roberto Salim

Roberto Salim, repórter da Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, O Globo, Gazeta Esportiva, Última Hora, Revista Placar, ESPN Brasil. Cobriu as Olimpíadas de Barcelona, Atlanta, Sydney, Athenas, Pequim e Londres. Na ESPN Brasil realizou mais de 200 documentários no programa 'Histórias do Esporte', ganhando o Prêmio Embratel com a série 'Brasil Futebol Clube' e o Prêmio Vladimir Herzog.

Colunista do UOL

Nem bem chegou em sua casa em Recife, dona Gorete recebeu um telefonema de sua filha Nana na noite desta quinta-feira: ”Mãe, treino sexta-feira cedo em Curitiba, viajo à tarde para o Rio, troco a roupa , vou direto para o desfile no Maracanã, volto de madrugada para o Paraná e logo às nove horas estarei treinando de novo”.

Nana é Yane Marques, a porta-bandeira da delegação brasileira.

E como estivesse competindo no pentatlo, ela vai fazer uma verdadeira maratona para continuar treinando sem perder o passo.

“A Galega é mais milica do que eu“, define o major Alexandre França, treinador da pernambucana.

Yane Marques é nossa heroína na Rio-2016

Ele tomou todas as precauções para que ela não seja prejudicada por participar do desfile de abertura dos Jogos Olímpicos.

“Ele me disse que por um lado é bom a Yane participar, mas por outro, vai perder alguns momentos de treino”, revelou Denise, esposa do treinador. “Ele disse que é ótimo para o esporte, mas a Yane não pode perder o foco, o ritmo. Então é vapt-vupt, ela sai do desfile e já volta para Curitiba”.

O técnico nem pensou em acompanhar sua atleta ao Rio de Janeiro. Vai permanecer em Curitiba, onde 9 delegações estrangeiras do pentatlo estarão treinando.

“É um bom momento para que a gente retribua o que fazem por nós quando estamos fora do país”.

A orientação que o treinador deu à Galega?

“A recomendação que dei é que ela curta o momento, vai ser o desafogo dela, vai sair um pouco da rotina desgastante de uma prova ingrata como o pentatlo”.

Dona Gorete também não irá ao Maracanã. Mas vai fazer uma grande festa em sua casa e receberá muitos parentes de Afogados de Ingazeira, cidade da sua menina:

“Lá a gente fazia pastel, empada e coxinha para vender, mas na festa do desfile vou fazer alguma coisa mais fácil para comer”.

A verdade é que todos estão orgulhosos: Dona Gorete em Recife, Denise em Porto Alegre e Alexandre em Curitiba.

E você Yane, como está se sentindo? “Eu? Eu estou orgulhosa... é uma honra para mim carregar a bandeira do meu país”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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