Duas semanas após o encerramento dos Jogos Olímpicos, o Estádio Olímpico Ninho de Pássaro reviveu o glamour dos fogos de artifício e das cores, que marcaram a abertura oficial da 13ª edição das Paraolimpíadas. Com o palco repleto de espectadores, o evento em Pequim teve o mesmo encanto e grandiosidade vistos na cerimônia da Olimpíada realizada na cidade.
Artistas deficientes e não deficientes realizaram uma bela coreografia inicial, com um tom moderno e bastante colorido. Vestidos com fantasias que levavam um grande sorriso no rosto, os interpretes marcaram a abertura representada por sete cores. Ao centro do Ninho de Pássaro, eles formaram o símbolo dos Jogos Paraolímpicos.
Ao contrario do que ocorre nos Jogos convencionais, primeiramente os atletas com deficiências entram na cerimônia de abertura, para, posteriormente, se encaminharem às arquibancadas e assistirem o restante do espetáculo conjuntamente com a platéia.
As delegações começaram a entrar no Estádio, aplaudidas pelas cerca de 90 mil pessoas que acompanhavam a cerimônia nas arquibancadas. Cadeirantes, cegos, e atletas com paralisia em algum membro não contiveram sua emoção ao adentrar o Ninho de Pássaro e contagiaram o público com sua alegria.
O Brasil, 28ª comissão ao desfilar, foi conduzido pelo tricampeão paraolímpico de judô, Antônio Tenório, que teve a honraria de ser o porta-bandeira do país. A nação, que tem a quarta maior delegação dos Jogos, com 188 atletas, não contou com a presença dos competidores da natação. Porém, os mesmos estavam assistindo a festa das arquibancadas.
Na entrada dos atletas chineses, os últimos a se apresentarem, o Ninho de Pássaro entrou em êxtase, com grande apoio a seus representantes na Paraolimpíada. Após as 148 delegações saudarem a platéia, os principais astros do evento, os esportistas, se retiram e deram vez novamente às coreografias.
Sob o tema "Céu, Terra e Direitos Humanos", a cerimônia prosseguiu com um número musical representado por bailarinas, integrando-se aos fogos. Todos os tipos de deficientes foram demonstrados na festa, com a participação de cegos cantando e tocando, surdos dançando e uma pequena garota amputada expressando o valor da vida em coreografias.
Após a apresentação do "vôo sem sair do chão", em que mãos representaram pássaros, as autoridades responsáveis pelo evento fizeram os discursos da abertura da Paraolimpíada de Pequim, inicialmente com o presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim (BOCOG), Liu Qi, que ressaltou a cerimônia e o evento.
O presidente da China, Hu Jintao, declarou em suas últimas palavras, a abertura oficial dos Jogos Paraolímpicos de Pequim. Na seqüência a bandeira paraolímpica adentrou o Ninho de Pássaro até seu hasteamento, ao lado da flâmula chinesa, sob execução do hino paraolímpico.
Enfim, após quase três horas de uma comovente cerimônia, a tocha olímpica ingressou no Estádio, passando de mão em mão, até chegar a uma atleta cega conduzida por um cão guia, que passou pela última vez a chama.
Assim como na Olimpíada, o último esportista a receber a tocha, o chinês Hou Bing foi elevado em sua cadeira de rodas por um sistema de cabos puxado manualmente por ele, até o topo do Ninho de Pássaro, para acender a pira do Estádio pontualmente às 23h em Pequim (12h no horário de Brasília). A partir deste sábado serão 11 dias de competições em luta pelas medalhas no evento chinês.