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06/09/2008 - 09h01

Sistema de classificação gera controvérsias nas Paraolimpíadas

Da Folhapress
Em São Paulo
Após a Paraolimpíada de Atenas-04, o Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) anunciou que simplificaria o sistema de classificação, o que acabou não acontecendo.

Com isso, os atletas paraolímpicos continuam sendo divididos em várias classes, que variam de acordo com a modalidade. O caso mais emblemático é o atletismo, que conta com 49 divisões. Os competidores são divididos em provas de campo e pista.

Peter Parks/AFP
Nos Jogos de Pequim, em agosto, a nadadora sul-africana Natalie du Toit, que perdeu parte da perna em um acidente de carro em 2001, disputou a estréia olímpica da maratona aquática e terminou a prova de 10 km na 16ª posição entre 25 concorrentes.

Outro sul-africano precisou recorrer à Corte de Arbitragem do Esporte para ter o direito de competir entre atletas sem deficiência. Mas o biamputado Oscar Pistorius (foto), que corre com próteses de fibra de carbono e estará em ação agora, não obteve índice nos 400 m.
IPC IMPÕE CONDIÇÕES A CLODOALDO
Nas de campo, há três classes para deficientes visuais, uma para mentais, nove para paralisados cerebrais, uma para anões, nove para quem compete em cadeiras e seis que juntam amputados e aqueles que não se enquadram em nenhuma outra.

Na natação, há três grandes divisões: limitações físico-motoras, deficiência visual e deficiência mental.As limitações físico-motoras são classificadas de S1 a S10. Quanto maior o número da classe, menor a deficiência do nadador. Há ainda subdivisões para as provas de peito (SB) e medley (SM).

O nadador brasileiro Clodoaldo Silva, por exemplo, foi reclassificado de S4 para S5 e terá que competir com concorrentes com menor comprometimento. O caso se estendeu por vários dias desde a chegada do atleta a Pequim. Na última sexta-feira, Clodoaldo fez o último teste de classificação funcional e foi mantido na nova categoria.

Por protesto ao IPC, o brasileiro resolveu nadar apenas os 50 m costas, prova em que tem menos chances de obter uma boa colocação, e os revezamentos 4x50 m medley e 4x 50 m livres. Porém, Clodoaldo foi notificado pelo comitê que só poderá participar dos revezamentos se nadar as outras cinco provas individuais. O nadador ainda não se pronunciou sobre o caso.

Em algumas modalidades, como o futebol de cinco e o goalball (modalidade que é exclusiva para deficientes visuais), são utilizadas vendas para que todos possam competir em idênticas condições de rendimento.

Em outras, como o judô (para cegos) e levantamento de peso, os atletas são categorizados exclusivamente por peso. Assim, um judoca totalmente cego enfrenta um lutador que consegue definir imagens. E no levantamento de peso, um amputado disputa medalha com atleta com lesões na medula espinhal ou paralisia cerebral.

Com tantas divisões, mesmo em grandes eventos como as Paraolimpíadas, nem sempre há concorrentes suficientes em todas as categorias. Em Atenas-04, por causa desse problema, o Comitê Paraolímpico Internacional juntou atletas de diferentes classes em algumas provas.

A medida gerou muita confusão. Alguns atletas registraram recordes mundiais em suas provas, mas ficaram sem medalha por competirem com concorrentes de outras classes.

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