! "Olhei o placar e achei que era 4º. Queria sair chutando tudo", diz Cielo - 14/08/2008 - UOL Esporte - Olimpíadas Pequim 2008
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14/08/2008 - 14h00

"Olhei o placar e achei que era 4º. Queria sair chutando tudo", diz Cielo

Bruno Doro
Em Pequim (CHN)
Assim que encostou na parede, para fechar os 100 m livre, César Cielo sabia que tinha feito uma prova quase perfeita. Digna de pódio olímpico. Quando olhou para o placar eletrônico, porém, ficou frustrado. Seu nome era apenas o quarto na lista.


Sem enxergar direito, não percebeu que, ao lado do seu nome, vinha o número três, indicando que dividia o bronze olímpico com o norte-americano Jason Lezak. "Pensei 'quarto de novo? Não pode ser'. Olhei para o placar e queria sair chutando tudo", lembra o primeiro medalhista brasileiro na natação desde o revezamento 4x100 m livre em Sydney-2000.

Cielo já tinha sido quarto colocado no Mundial de Melbourne, no ano passado, atrás do terceiro colocado por quatro centésimos. E não queria ter a mesma sensação. "Se você pegar um cronômetro e apertar duas vezes, são 20 centésimos. E 20 centésimos é a diferença entre o céu e o inferno. E eu queria o céu", completa Cielo, ao lembrar que esticou muito braço na chegada.

O paulista, que depois ainda quebrou o recorde olímpico dos 50 m (e teve e marca quebrada na seqüência) nas eliminatórias da prova, falou ainda sobre sua estratégia de prova, contou que se poupou nos primeiros 50 metros e bateu pouco a perna, para não gastar muita energia, e ainda revelou que, nesta manhã, foi contra seu técnico e resolveu dormir até mais tarde, ao contrário do que tinha feito nos dias anteriores.

Confira entrevista com o quarto medalhista brasileiro dos Jogos de Pequim.

Chegando com o oitavo tempo, você acreditava em uma medalha? Ou se surpreendeu quando bateu em terceiro?
Eu tinha certeza que não ia pegar medalha nos 100. Meu tempo era muito ruim. Nadei mal no Mare Nostrum (circuito de meetings de natação), não estava segurando bem na parte aeróbia (de resistência) e hoje entrei na água e sabia que estava morrendo no final da prova. Resolvi disputar uma prova ainda mais forte porque, se estou morrendo, vou morrer um pouquinho mais pra frente. Foi essa tática que coloquei na minha cabeça. Mas quando caí na água, economizei um pouquinho de perna, porque não estava bem para os 100 metros.

Você se poupou como?
Decidi não bater muita perna nos primeiros 50 metros e ver no que dava. Passei bem relaxado e foi bom. A sensação, hoje, foi que a dor veio mais tarde. Nas outras provas, eu estava passando bem forte, mas o gás estava acabando aos 80 m, 85 m. Hoje, consegui segurar mais. A energia foi acabando aos pouquinhos, mas ainda consegui segurar.

Fazer as finais de manhã exige mais concentração?
É sempre mais difícil. Hoje, fiz meu quarto 100 m livre nas Olimpíadas e fiz algumas coisas diferentes. Ontem, acordei muito cedo e pulei na água às 6 da manhã, para acordar. Nos EUA, eles têm uma tradição de, para as eliminatórias da manhã, acordar às 5h30, ir à piscina às 6h. É meio um ritual americano. Hoje decidi acordar na hora da prova. Fui experimentando e tentei não repetir os erros. Deu certo. Acho que tinha mais energia que nos outros dias.

Com a medalha, a expectativa para os 50 m é ainda maior. Você chegou a falar em trazer o ouro quando saiu da piscina. Mantém a promessa?
Não sei. Vou fazer o que fiz hoje. Vou deixar tudo o que tiver na piscina. Mas hoje, passei bem relaxado nos 50 metros e fiz um tempo muito bom. Então, se o meu bem relaxado está bem próximo dos primeiros, tenho de ficar otimista. Nos 50 m livre, não tem como segurar, é sair ir com tudo, passar sem respirar e ver o que dá.

Cair na piscina como medalhista olímpico muda alguma coisa?
Na água acho que não muda nada, mas na Vila Olímpica faz diferença sim. É bom porque o pessoal vem e te cumprimenta, reconhece o seu trabalho.

E onde está a medalha?
A medalha está bem guardadinha. Eles não deram nem uma caixinha, então ela está guardada para não riscar.

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