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07/08/2008 - 02h46

EUA optam por ativista político para porta-bandeira em Pequim

Das agências internacionais
Em Pequim (China)
A delegação olímpica norte-americana optou nesta quarta-feira por uma conotação política ao nomear o sudanês Lopez Lomong, cidadão dos EUA desde 2007, como porta-bandeira do país na cerimônia de abertura. Eleito em votação pelos capitães de cada modalidade, Lomong milita contra os conflitos em Darfur e critica os chineses por suas relações comerciais com o governo do Sudão.

Jonathan Ferrey/Getty Images/AFP
Escolhido como porta-bandeira dos EUA, Lomong milita contra conflitos em Darfur
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A escolha de Lomong, especialista nos 1.500 metros, reforça uma antiga crítica dos norte-americanos ao regime chinês, que mantém o Sudão como importante parceiro econômico. O governo sudanês é pressionado pela comunidade internacional por apoiar de forma velada o genocídio em Darfur, região no extremo oeste do país assolada por conflitos étnicos.

O atleta, que viveu afastado de sua família por dez anos em um campo de refugiados, treina nos EUA desde 2001 e faz críticas abertas às relações entre China e Sudão. "Como atletas, temos que deixar claro ao governo (sudanês) que não se pode matar ou bombardear e à China que deve deixar (de dar apoiar ao Sudão) porque as armas não servem para defender o país, e sim para matar inocentes", declarou Lomong.

Antes mesmo de começar, os Jogos de Pequim já tiveram pelo menos dois incidentes relativos a protestos dos EUA pelos conflitos em Darfur. Em 2007, o diretor Steven Spielberg recusou-se a participar como consultor na cerimônia de abertura dos Jogos, alegando que não concorda com a política do governo chinês.

Nesta semana, os chineses retiraram o visto do patinador norte-americano Joey Cheek, que ia à China apenas para acompanhar os cerca de 70 atletas que se comprometeram a chamar a atenção do mundo para a violência de Darfur, durante os Jogos de Pequim.

Lomong já declarou em seu blog o que fará no pódio, caso ganhe uma medalha na final dos 1.500 metros, no dia 20 de agosto. "Levarei as bandeiras dos Estados Unidos e do Sudão. Será minha forma de dizer: 'aqui está uma vítima que teve de fugir, e vejam no que se converteu agora esta vítima'", divulgou o atleta.

A cerimônia de abertura em Pequim está marcada para as 9h (em Brasília) de sexta-feira, no Estádio Olímpico, conhecido como Ninho de Pássaro.

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