24/07/2008 - 13h52
Porta-voz iraquiano se diz surpreso com afastamento dos Jogos
Das agências internacionais
Em Bagdá (Iraque)
O porta-voz do Comitê Olímpico Nacional do Iraque, Taha al Yanabi, lamentou nesta quinta-feira o cancelamento da participação do país árabe nos Jogos Olímpicos de Pequim.
"Foi uma surpresa, já que este assunto poderia ser resolvido de maneira amistosa", disse Yanabi sobre a decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) de barrar a participação do Iraque devido a ingerências políticas nos órgãos desportivos.
Em entrevista ao canal árabe Al-Jazeera, o porta-voz iraquiano disse que a medida do COI não beneficia ninguém, e comentou que "a relação entre as autoridades internacionais do esporte e o governo iraquiano deveriam ser baseadas no respeito mútuo".
Alegando que o Comitê Olímpico do Iraque havia sido dissolvido após o seqüestro do então presidente do órgão, Ahmed al Hiyie al Samarrai (ainda não resgatado), o COI cancelou a inscrição dos sete atletas da delegação iraquiana, que iriam competir nas provas de atletismo, judô, tiro com arco, remo e levantamento de peso.
O COI apenas ratificou uma decisão tomada no dia 4 de junho, já que o comando do comitê nacional continua difuso e sob a responsabilidade de uma comissão temporária centralizada no ministro iraquiano dos Esportes, Yasim Mohamed Yafar.
Esta comissão preside o órgão desde 15 de julho de 2006, quando o então presidente Samarrai foi seqüestrado. Quando ele assumiu o comitê, em 2003, a situação do Iraque junto ao COI havia sido regularizada e o país pôde participar das Olimpíadas de Atenas-2004.
Na ocasião, a participação do Iraque esteve ameaçada porque o filho do ex-ditador Saddam Hussein, Odei Hussein, havia instalado uma câmara de tortura nas instalações do comitê olímpico, que era usada para maltratar atletas dissidentes. Nos Jogos de 2004, o Iraque esteve perto de ganhar uma medalha no futebol, mas perdeu para a Itália na decisão do 3º lugar.