UOL Olimpíadas 2008 Notícias

16/07/2008 - 07h54

Desfalcada no garrafão, Grécia apela ao "Baby Shaq"

Giancarlo Giampietro
Em Atenas (Grécia)
Sem contar com um veterano de destaque no garrafão e sua principal revelação, a Grécia apela agora para seu "Baby Shaq". Figura popular para os torcedores e dor-de-cabeça de dirigentes, o pivô Sofoklis Schortsanitis é uma aposta do técnico Panagiotis Yannakis para o Pré-Olímpico.

Os "grandalhões" da seleção brasileira precisam se preparar para a pancadaria de seu jogo no duelo com os anfitriões do Pré-Olímpico, nesta quarta-feira, às 16 h (horário de Brasília).

O jovem pivô, de 23 anos, com pai grego e mãe camaronesa, é famoso por suas investidas debaixo da cesta que deixam rivais estendidos pelo caminho, feito uma locomotiva. Em seu retorno à seleção, ele tem a missão de cobrir o desfalque do rodado Lazaro Papadopoulos e Kosta Koufos, que foi "draftado" pelo Utah Jazz e recusou a seleção nacional.

"Ele é um jogador muito corpulento, muito forte e sempre chama muita atenção", afirmou o pivô Tiago Splitter, que não se mostra muito impressionado com a eficiência técnica do adversário. "Talvez a gente tenha de fazer algumas ajudas, umas defesas especiais sobre, mas não é algo que mude nosso estilo de jogo porque existem vários jogadores que possam fazer mais diferença."

Schortsanitis foi destaque da Grécia no Mundial do Japão de 2006, por dois jogos em particular. Em confronto com a China, conseguiu um feito ao derrubar o gigante Yao Ming, de 2,31 m de altura. Depois, na semifinal, atropelou em diversos lances os astros da NBA em chocante triunfo sobre os Estados Unidos.

Ao final da competição, seu nome voltou a ter proeminência internacional, quatro anos depois de ter sido descoberto por olheiros em 2002, quando tinha 16 anos e estreava no basquete profissional, com o apelido que evoca o astro Shaquille O'Neal, pela brutalidade de seu jogo.

A pressão afetou seu desenvolvimento, mesmo quando fora de seu país, na Itália. O atleta passou a ter problemas com a balança e não progrediu como o esperado. Até que o lituano Jonas Kazlauskaso adotou como projeto no Olympiacos e o ajudou a refinar corpo e habilidades.

Após o estouro no Mundial, o Los Angeles Clippers estudou seriamente sua contratação - é o time que possui seus direitos na liga norte-americana -, mas acabou desistindo, desconfiado dos resultados de sua pesquisa. O Olympiacos também mudou sua comissão técnica, com o israelense Phini Gherson. E a falta de um acompanhamento mais dedicado acabou destroçando sua confiança. Acabou ficando fora da seleção do Europeu em 2007.

Na última temporada, o atleta foi convencido pelo clube grego a passar cerca de dois meses em uma clínica especializada na Suíça, na qual perdeu mais de 30 kg. Hoje, o jogador de 2,10 m carrega 165 kg em quadra. O que, para seus padrões, é considerado aceitável.

O jogado foi abordado em três diferentes ocasiões pela reportagem do UOL Esporte, mas não quis dar entrevista, afirmando que não está autorizado pela diretoria da equipe.

Em ação no Torneio de Acrópolis, jogou por 12 minutos contra o Brasil - seu tempo de quadra precisa ser regulado - e somou dois pontos e quatro rebotes. Os números não são os mais expressivos, mas o impacto que seu físico proporciona em uma partida chama a atenção. Por diversas vezes, Tiago Splitter foi ao chão ao tentar lidar com o grego.

"Ele gosta muito de contato físico. Já estou estudando seu jogo um pouco e vendo como gosta de atuar", afirmou o pivô Rafael "Baby" Araújo, que virou dúvida para a seleção após passar mal na véspera. "Ele procura o contato de um corpo para fazer a jogada. Se marcarmos por fora, tentando antecipar os passes, sem deixá-lo receber a bola lá dentro muito fácil, isso pode atrapalhar."

A seleção reclamou do excesso de contato permitido ao atleta, mas o trio de arbitragem local não se mostrou preocupado - chamadas de faltas de ataque e de três segundos inativos no garrafão foram ignoradas, na avaliação do técnico Moncho Monsalve. Para a seleção helênica, no entanto, as violações no importam. Eles só esperam que a balança do "pacote Schortsianitis" seja favorável.

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