Diante da falta de resultados do Brasil em eventos internacionais, o influxo de atletas na NBA foi uma das poucas razões para celebração no basquete nacional. No Pré-Olímpico, em Atenas, a renovada seleção tenta provar que existe vida na modalidade além da liga norte-americana.
A equipe enfrenta o Líbano, nesta terça-feira, às 16 h (horário de Brasília), na luta para retornar às Olimpíadas, evento que não disputa desde Atlanta-1996. O torneio na Grécia classifica três times para os Jogos de Pequim.
Desde a entrada de Nenê no "draft" de 2002, é a primeira vez que a seleção não contará com um de seus representantes na NBA quando procurou reunir força máxima para uma competição - em 2004, os astros não foram chamados. Neste ano, o pivô do Denver Nuggets, Anderson Varejão (Cleveland Cavaliers) e Leandrinho (Phoenix Suns) pediram dispensa por problemas médicos.
Desta forma, uma clara chance foi aberta para outras caras despontarem como protagonistas para o grande público. "O time pode ter desfalques de peso, mas sei que ainda é muito forte, com muitos atletas à disposição. Estou certo de que sua seleção pode trazer mais do que 12 atletas a um torneio", afirmou o técnico grego Panagiotis Iannakis sobre seu rival do grupo A. No cada vez mais forte basquete europeu, o Brasil ganha destaque.
O pivô Tiago Splitter, de apenas 23 anos, lidera essa legião, cotado como um dos melhores jogadores do continente, campeão espanhol e com quatro aparições consecutivas nas semifinais da Euroliga.
"O Tiago, para mim, já poderia ser um dos jogadores mais importantes da liga. Ele fez a opção de ficar na Europa e talvez não tenha reconhecimento por isso. Se a gente consegue uma vaga aqui, vai valorizar todo mundo", afirmou o ala-armador Marcelinho Machado, que vai se despedir da seleção nesta temporada.
O armador Marcelinho Huertas, 25, foi eleito o melhor de sua posição na fortíssima liga espanhola e viu um leilão entre diversos clubes por sua contratação para a próxima temporada.
O ala-armador Alex Garcia conquistou neste ano os exigentes torcedores do Maccabi Tel Aviv, gigante de Israel que é uma potência do continente e tem folha de pagamento que pode rivalizar com franquias norte-americanas. Com o time, foi vice-campeão da Euroliga.
Além de nomes estabelecidos, o país também oferece uma fornada sem fim de revelações para a Europa - um número crescente de garotos desembarca especialmente na Espanha a cada ano -, entre as quais se destacam os pivôs Paulão e Vitor Faverani, ambos do Unicaja Málaga-ESP. No atual elenco da seleção, o ala Marcus Vinícius, 22, é o que se enquadra nesse perfil.
"Não sei se é tão importante ter jogadores da NBA. Lá é um mundo especial, está certo. Mas um time nacional não se faz apenas dessa maneira. O Brasil é um país incrível na produção de talentos", afirmou o técnico Moncho Monsalve, primeiro estrangeiro a comandar a seleção.
O Pré-Olímpico será disputado até domingo, na capital grega. A seleção está no grupo A, que também conta com a Grécia, oponente desta quarta-feira. Os dois primeiros da chave avançam às quartas-de-final.