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11/06/2008 - 14h49

Olímpicos culpam mentalidade e comodismo por queda do triatlo

Fernando Narazaki
Em São Paulo
De uma equipe completa com seis representantes para apenas dois atletas. A redução no número de vagas olímpicas no triatlo vem justamente no ciclo olímpico que a Confederação Brasileira de Triatlo recebeu mais de R$ 3,5 milhões apenas com a Lei Piva, um investimento estatal recorde na modalidade.

Durante a preparação, o país sofreu com a aposentadoria de Sandra Soldan, que optou por seguir a carreira de médica, e a saída de Carla Moreno da briga pela vaga olímpica por insatisfação com o baixo investimento na modalidade. Sem elas, sobrou para Mariana Ohata a tarefa de manter as mulheres nas Olimpíadas, mas com muito esforço.

"Tive de tirar dinheiro do meu próprio bolso. A minha sorte é que tenho um patrocínio que me ajuda muito nestas horas. Se não fosse isso, ia ser bem complicado, pois tive que viajar, disputar etapas fora do país e isso não é barato", explica Mariana, que evita citar valores, mas assegura: "É bem menos do que eles (a Confederação) receberam. Pode ter certeza".

Na avaliação da brasiliense, a ausência de novos nomes do triatlo feminino vem justamente desta falta de incentivo, mesmo com valores milionários recebidos do governo federal. "Por experiência própria, posso te falar que elas precisam sair. Há meninas de talento, mas elas precisa competir lá fora e as meninas não estão indo. Cabe à Confederação se preocupar com isso", analisa.

Após Mariana, 59ª do ranking mundial, a melhor brasileira é Carla Moreno, 153º lugar, que já não compete desde o início do ano, seguida por Pamela Oliveira, 161ª colocada, e Vanessa Paolieri, 192ª.

Pamela, de 21 anos, é a maior aposta para o futuro, mas não teve sucesso no Mundial de Vancouver, realizado no último sábado, abandonando a disputa do sub-23. "Ela tem um potencial, torço muito para que ela e outras meninas melhorem, pois precisamos de um time forte. O problema é que você precisa viajar, isso faz a diferença e não é todo mundo que pode tirar do seu bolso ou ter patrocínio, como é meu caso", destaca Mariana.

Já na opinião de Reinaldo Colucci, único classificado para a prova masculina, a queda tem outra explicação. "A gente tem talento, mas falta o foco. O problema é que tem muito triatleta que pensa pequeno. Ele se conforma em ficar entre os 10, não em ganhar. E aí ele nunca chega a lugar algum", acredita.

O paulista evita as mesmas críticas que sua conterrânea Carla Moreno fez sobre a falta de apoio da Confederação. "Posso te dizer que 80% dos meus custos foram bancados pela CBTri. Eles me ajudaram no que podiam. Não sei como foram os outros casos, mas o meu foi assim", explica.

Para ele, outros brasileiros podem chegar à elite do triatlo, além dele e Juraci Moreira, que é o primeiro reserva na lista olímpica. "Tem o Danilo (Pimentel, atual 114º do mundo) e o Mauro (Conceição, 169º lugar), mas depende também deles", analisa.

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