Únicos representantes do país no triatlo nas Olimpíadas de Pequim, Mariana Ohata e Reinaldo Colucci embarcaram nessa quarta-feira para a Suíça. Na Europa, eles fazem a etapa final de treinos, antes da chegada à Coréia do Sul, onde passam o último mês antes dos Jogos.
A dupla sonha com um resultado histórico para o Brasil na modalidade justamente na edição que o país terá sua menor representação. Em Sydney-2000 e Atenas-2004, foram três atletas em cada prova (máximo permitido pela Federação Internacional), mas o máximo que os representantes conseguiram foram o 11º lugar com Sandra Soldan em 2000.
Agora, mesmo com a redução na equipe, os dois almejam ficar entre os dez primeiros do evento. "Sei que tenho muita condição de ficar entre os dez primeiros. Daí para o pódio é questão de momento, mas estou bem confiante", definiu Colucci.
E os resultados do paulista de São Carlos dão respaldo a sua meta. Neste ano, ele esteve em apenas três provas do circuito internacional, sendo sexto em Richards Bay e 11º na etapa de Tongyeong. Na primeira, o paulista ficou a poucos segundos do sul-africano Hendrik de Villiers e do norte-americano Matthew Reed, quarta e quinto colocados, respectivamente, no Mundial de Vancouver, realizado no último sábado.
"Competi contra os melhores e estive sempre bem perto. Nos últimos dois anos, em 11 etapas da Copa do Mundo que disputei, fiquei em cinco delas entre os dez primeiros", lembrou Colucci, que, porém, admite ser difícil brigar pelo ouro. "O (espanhol) Javier Gomez é o favorito disparado. Ele está imbatível no ano e acho difícil alguém batê-lo", analisou. O espanhol venceu o Mundial da modalidade e mais as etapas de Madri, New Plymouth e Mooloolaba da Copa do Mundo.
Além dos bons resultados, o paulista conta com outro ponto a favor: o conhecimento do percurso onde será disputada as Olimpíadas. "Competi lá no ano passado. Vi que o ciclismo será um fator de dificuldade e este é justamente o meu ponto forte. Acredito que um grupo de 15 deve chegar junto para a definição na corrida. Espero estar neste grupo", avaliou.
Já a experiência será a maior arma da brasiliense Mariana Ohata, que participou das duas edições olímpicas anteriores. Em Pequim, ela espera apagar as más atuações de Sydney (quando abandonou a prova) e de Atenas (foi apenas a 37ª colocada). "Venho me preparando desde 2005, foi um trabalho de quatro anos e estou confiante. Quero ser top 10 e cresci muito nos últimos anos. Estou muito tranqüila e tenho certeza que isso fará diferença no dia", disse.
Na China, pela primeira vez, Mariana não terá a companhia de Sandra Soldan e Carla Moreno, que formaram o time brasileiro nas outras duas Olimpíadas. "Cada um seguiu seu rumo, mas eu estou aí. Acho que o fato de ir sozinha não fará muita diferença, só lamento porque não vejo renovação", lamentou.
Os brasileiros só querem saber de concentração para apagar a impressão que o triatlo está em queda. "Vamos fugir do Brasil e ficar um pouco de paz. Agora é hora de dar tudo para fazer valer os quatro anos de trabalho duro que tivemos", apontou Mariana, que permanece com Colucci na Suíça por um mês. Em 13 de julho, eles devem competir na etapa da Hungria e, em seguida, viajam para Jeju, na Coréia do Sul, onde irão se adaptar ao fuso horário e farão a etapa final de treinos.