De nada adiantou a torcida contra. Neste domingo, através de comunicado em seu site oficial, o Milan anunciou que não permitirá a participação do meia-atacante Kaká nas Olimpíadas de Pequim.
O clube avaliou que não considera necessária a liberação do atleta para um evento que não tenha a seleção principal do Brasil. Kaká teve a sua convocação anunciada pelo técnico Dunga na última quinta-feira, mas o treinador apontou que ainda aguardava o aval do Milan.
Há um mês, o Milan divulgou que só cogitaria liberar o atleta caso o time não se classificasse para a Liga dos Campeões. Neste domingo, a equipe terminou em quinto lugar no Campeonato Italiano e fora da zona de classificação para a principal competição interclubes da Europa.
Apesar disso, a direção do clube
rossoneri confirmou que não permitirá que Kaká defenda o Brasil em Pequim. "Não liberaremos um jogador acima de 23 anos, como Kaká, pelo simples fato de ele integrar a seleção principal. Não apreciamos que Kaká seja incluído também na seleção olímpica brasileira", explicou o vice-presidente de futebol Adriano Galliani.
Ao mesmo tempo, o clube anunciou que cederá o atacante Alexandre Pato e o zagueiro Digão, ambos com idade olímpica. "Ambos fazem parte de uma pré-lista de 50 convocados e não vamos nos opor", disse Galliani.
Eleito o melhor do mundo em 2007 pela Fifa, Kaká já havia adiantado que respeitaria a decisão do Milan, apesar de ter o sonho de defender o Brasil nas Olimpíadas.
Em 2004, ele também teve a participação vetada pelo clube no Pré-Olímpico da América. Na época com menos de 23 anos, Kaká viu o Brasil dar vexame e ser eliminado na fase classificatória. As vagas ficaram com Argentina e Paraguai, que, posteriormente, foram campeões e vice dos Jogos de Atenas-2004.
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, reconheceu há duas semanas que não teria como negociar com o Milan, caso o clube não mostrasse disposição em liberar Kaká. "A CBF não tem poderes para exigir", definiu.
Segundo ele, o maior problema foi o fato de a Fifa não ter exigido que os clubes dispensassem a participação dos atletas acima de 23 anos nas Olimpíadas. Pelo regulamento olímpico, apenas três atletas nesta situação podem disputar os Jogos.
A mesma alegação feita pelo Milan foi dada pelo Bayern de Munique para anunciar que não permitiria a ida dos zagueiros Lúcio e Demichelis para as seleções brasileira e argentina, respectivamente.