Adversários não faltaram. Fossem eles físicos, psicológicos ou técnicos. Mesmo assim, a pernambucana Keila Costa soube superar a adversidade e respira agora aliviada com a conquista da vaga olímpica no salto em distância para os Jogos de Pequim.
A classificação veio com a marca de 6,65 m obtida no GP de Fortaleza, realizado na última quarta-feira. Ela bateu o índice B exigido pela Iaaf (Associação Internacional das Federações de Atletismo) e selou a vaga, pois já havia superado o índice A (6,72 m) no ano passado.
E a obtenção do índice foi alcançada com uma nova estratégia, conseqüência direta de uma lesão no joelho direito, que vem incomodando a pernambucana desde o final do ano passado. A atleta teve diagnosticada uma calcificação no local e precisou mudar a forma de saltar, pois não teve tempo para realizar o tratamento médico adequado.
"Conversei com o Nélio (Moura, técnico da saltadora) e passei a pular com a perna esquerda, a contrária, na hora do impulso. No começo, estava com medo, pois não sabia se ia conseguir, mas depois, com os treinos, fui vendo que os saltos iam saindo, mesmo sem a técnica ideal. Ainda bem que consegui", explica a medalhista de prata na prova nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.
Saltando com a perna "trocada", Keila foi sétima no Mundial Indoor e repetiu a posição na primeira tentativa de marca olímpica no GP de Doha (com 6,45 m), antes de, enfim, celebrar o lugar nas Olimpíadas. "Foi bem melhor obter o índice agora. Era uma marca que estava buscando e isso me deixa bem mais tranqüila para planejar como será a minha preparação", aponta.
Para ela, o resultado também servirá para melhorar o astral e acabar de vez com as dores no joelho. "Agora, só quero treinar e me recuperar da lesão. Vou sentar com o Nélio para ver quais competições vou entrar e também estou conversando com o médico para ver se termino este tratamento até junho. As dores diminuíram e só tenho que ganhar a confiança de novo", avalia.
A tendência é que a pernambucana dispute apenas as competições no Brasil (GPs do Rio de Janeiro, São Paulo e Belém, e o Troféu Brasil) e abdique de eventos internacionais. "Não estou nem pensando em Golden League ou outro evento. Agora só quero pensar nas Olimpíadas, chegar bem e fazer o meu melhor", diz.
Esta será a segunda vez que Keila disputará as Olimpíadas. Em Atenas-2004, ela superou apenas sete adversárias e foi a 31ª colocada do salto em distância, sendo eliminada ainda nas eliminatórias.