Dono de oito títulos mundiais na classe Laser, o paulista Robert Scheidt começa, na tarde desta sexta-feira, a defender pela primeira vez um título mundial na classe Star. O mais inédito da situação, porém, é o foco de Scheidt e seu parceiro Bruno Prada na competição.
| LARS COMEÇA COM "PÉ ESQUERDO" |
|---|
 Em 1998, Lars Grael perdeu a perna direita em um acidente. Mesmo assim, hoje veleja em alto nível e encontra bom humor para brincar com a situação. Na quinta-feira, ele venceu a regata de abertura do Mundial, considerada uma má sorte por velejadores: "Também dizem que dá azar entrar com o pé esquerdo no barco. Bem, desde 1998 eu só entro com o pé esquerdo, né...". |
LEIA O POST NO BLOG DA REDAÇÃO |
Em preparação para os Jogos Olímpicos, os dois usam o Mundial de Miami, nos EUA, como treino olímpico, mas com ressalvas. O formato das duas competições não poderia ser mais diferente. O Mundial terá apenas seis regatas disputadas em seis dias, com percurso mais longo. Além disso, terá 115 barcos na água.
O torneio olímpico terá 11 regatas na série de classificação, com duas provas a cada dia, além da medal race, espécie de final que reúne apenas os dez primeiros colocados e tem peso dobrado na classificação. "Esse Mundial é completamente diferente da Olimpíada, que terá apenas 16 barcos na água. Já o nível será o mais forte de todos os tempos, com as 11 duplas já garantidas nos Jogos", explica Bruno Prada.
Campeões do mundo em 2007, em Cascais, Portugal, Scheidt e Prada disputam o Mundial pela quarta vez. Em todas as outras, chegaram entre os dez primeiros. No primeiro, em 2005, terminaram em sexto lugar, e no segundo, em 2006, foram vice-campeões.
"O Mundial é importante, mas atrás apenas da Olimpíada. Tentaremos defender o título com força total, mas sabemos das dificuldades, principalmente devido ao grande número de competidores", afirma Scheidt.
Para manter o título da Associação Internacional da classe Star e o direito de velejar com a estrela amarela na vela do barco, Scheidt e Prada estão treinando em Biscayne há mais de dez dias. "Trabalhamos as regulagens do barco e testamos diversas velas, com o objetivo de otimizar nossa velocidade nas diversas condições de vento. Tentaremos ser mais conservadores no inicio, mas também não muito, pois uma largada ruim custa caro demais e fica difícil recuperar", completa Scheidt, que vai comemorar 35 anos durante o Mundial, no dia 15.
Além da dupla brasileira, sexta colocada do ranking mundial, aparecem como favoritos ao título os poloneses Mateusz Kusznierewicz e Dominik Zycki, líderes da lista da Isaf (Federação Internacional de Vela), os franceses Xavier Rohart e Pascal Rambeau, campeões mundiais em 2005 e vices no ano passado, os portugueses Afonso Domingos e Bernardo Santos, campeões da Bacardi Cup, disputada também em Miami, em março, os ingleses Iain Percy e Andrew Simpson, os norte-americanos John Dane e Austin Sperry, os neozelandeses Hamish Pepper e Carl Williams e os italianos Diego Negri e Luigi Viale.
O Brasil terá outras cinco duplas no Mundial de Miami: Peter Ficker e Arthur Lopez, Lars Grael e Marcelo Jordão, Alan Adler e Ricardo Ermel, Gastão Brun e Fábio Kraiczyk, além de Alessandro Pascolato e Henry Booning. Já o proeiro bicampeão olímpico Marcelo Ferreira vai competir com o espanhol Roberto Bermudez.