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11/03/2008 - 08h36

Por telefone, boxe recebe ordens para a disputa do Pré-Olímpico

Antoine Morel
Em São Paulo
O boxe brasileiro terá a primeira chance de se garantir nos Jogos Olímpicos de Pequim a partir desta terça-feira, em Trinidad e Tobago. Os onze pugilistas nacionais disputam o primeiro Pré-Olímpico das Américas, que vai até dia 18, sem o técnico João Carlos Soares, impedido de viajar por causa de um problema de visto.

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Myke Carvalho (foto), como Washington Silva, já esteve nas Olimpíadas de Atenas
VETERANOS COM MAIS CHANCE
"Eles vão me passar com quem vão lutar. Eu vou passar uma breve forma de lutar, passar uma estratégia e discutir os possíveis adversários até a final por telefone. Vamos também trocando e-mails. Vamos orientar desse jeito e vamos passando informações", conta o treinador, que é de Guiné-Bissau e não conseguiu colocar o seu passaporte em dia para a viagem.

O problema de Soares, que se formou como treinador em Cuba e é um dos grandes destaques da seleção brasileira, foi a falta de tempo hábil da embaixada de Trinidad e Tobago para validar seu passaporte. "Cheguei [da República Dominicana, local de um torneio preparatório] 15 dias antes do prazo final. Eles disseram que precisavam de um mês para uma análise", explica.

Sem Soares, a equipe nacional terá a ajuda de Luiz Carlos Dórea (ex-técnico de Popó), Otílio Toledo e Cristiano Rocha. "Ele [Cristiano] foi comigo para a República Dominicana e tem certa aproximação com os meninos. Fica mais fácil a convivência então", afirma o treinador.

A classificação para a China terá ainda uma segunda chance no Pré-Olímpico da Guatemala, no final de abril. Até lá, Soares espera estar com os documentos em dia. "Vamos brigar pela vaga. Não sei quantos vamos classificar. Treinamos para isso. Assim que sair minha nacionalidade brasileira, não terei mais problemas de visto", diz.

Para chegar aos Jogos, o Brasil vai encarar os cubanos, que ficaram de fora do Mundial de Chicago, em setembro passado, e tentarão a chance agora. Mesmo assim, Soares vê credibilidade no boxe olímpico nacional.

"O boxe em brasileiro é de força, mobilidade e agilidade. Como a gente joga futebol para caramba e é o país do samba, a gente tem que obrigar o pugilista a mexer mais", analisa, que faz uma analogia com o futebol. "Experiência é o que pesa. É como o futebol. [Somos] Como uma equipe africana. A gente [a seleção brasileira de futebol] ganha deles porque tem experiência", completa.

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