UOL Olimpíadas 2008 Notícias

15/02/2008 - 17h06

Vaga na Finn chega após cinco dias de treino para Eduardo Couto

Bruno Doro *
No Rio de Janeiro
Em apenas duas semanas, o carioca Eduardo Couto deixou de ser mais um na classe Laser para se tornar "o cara" na classe Finn. Aos 22 anos, ele conquistou nesta sexta-feira o título da seletiva brasileira de vela, após treinar apenas cinco dias em um barco em que nunca tinha velejado.

"Eu decidi tentar a sorte na Finn no ano passado, quando o Joca (Signorini, 10º nos Jogos de Atenas-2004) desistiu da campanha olímpica. Mas treinar mesmo, eu só treinei nas últimas duas semanas. E ainda choveu e não fez vento na maior parte dos dias. Treinar mesmo, eu só treinei cinco dias antes da Seletiva", lembra Couto.

Laserista, ele está longe do biótipo da classe em que vai para Pequim. Magro, ele pesa apenas 81 quilos em uma flotilha marcada por pesos pesados de mais de 90 kg. O bicampeão olímpico Marcelo Ferreira, por exemplo, competiu com mais de 110 kg. A desvantagem, porém, se tornou benéfica nas raias montadas para o evento.

Na entrada da Baía de Guanabara, os ventos foram fracos, em uma tentativa de simulação das condições de Qingdao, na China, local em que será disputada as provas de vela nas Olimpíadas de Pequim. "Com pouco vento, os mais leves levam vantagem. Mas eu ainda acho que estou leve de mais. Talvez ganhar um pouco de peso, chegar com uns 85 kg nas Olimpíadas".

Satisfeito com a conquista, Couto pode até mesmo desistir de lutar pela vaga na classe Laser, que terá a seletiva na próxima semana. "Agora eu não sei mesmo o que vou fazer. Vou sentar com a Confederação e discutir. Eu quero disputar, mas vou fazer o que for melhor para a equipe", garantiu o velejador.

Com a classificação de Couto, restam apenas três vagas abertas para a vela brasileira. A partir do dia 22 será disputada a seletiva brasileira da Laser, com o catarinense Bruno Fontes, atual bicampeão brasileiro, como favorito. A outras duas classes são a Laser Radial e a Tornado, em que o Brasil ainda não tem vaga garantida.

O Mundial de Tornado será em Auckland, na Nova Zelândia, a partir de 22 de fevereiro. Os brasileiros Bruno di Bernardi e Mário Tinoco vão lutar por uma das quatro vagas disponíveis. A partir de 1º de março, também em Auckland, é a vez de Adriana Kostiw tentar conquistar um dos seis lugares disponíveis na China.

Já estavam classificados para os jogos as duplas André Fonseca/Rodrigo Duarte (49er), Fábio Pillar/Samuel Albrecht (470 masculino), Fernanda Oliveira/Isabel Swan (470 feminino) e Robert Scheidt/Bruno Prada (Star), além de Ricardo Winicki, o Bimba, e Patrícia Freitas, nas classes masculina e feminina da RS:X.

Tapetão sem valor

O resultado de Couto, na água, saiu às 15h30, mas oficialmente o resultado só foi confirmado às 19 horas. Jorge João Zarif e seu pai, Jorge Zarif, tentaram quatro protestos diferentes para que Jorginho se classificasse.

Apenas um dos protestos foi aceito, mas não alterou o resultado final da competição. Couto, que terminou em terceiro, foi eliminado da última regata, ao lado de Jorge Zarif, que tinha sido o segundo. Com isso, Jorginho, quinto a cruzar a linha, subiu para o terceiro lugar, mas o resultado não foi o suficiente para ele passar Couto na soma geral de pontos.

* Atualizado às 19h

Compartilhe: