15/02/2008 - 15h29
Após polêmica, Eduardo Couto está nas Olimpíadas de Pequim
Bruno Doro *
No Rio de Janeiro
O carioca Eduardo Couto conquistou, nesta sexta-feira, a vaga brasileira da classe Finn nas Olimpíadas de Atenas. Aos 22 anos, ele precisou das 14 regatas previstas para garantir o título da Seletiva Brasil de Vela, que terminou no Rio de Janeiro nesta tarde.
Para se classificar, Couto precisava de uma vitória e uma das duas regatas do dia. Na primeira prova, ele chegou a liderar, mas foi superado por seu rival Jorge João Zarif, de apenas 15 anos, e acabou em segundo. Com isso, ele e Jorginho foram para a última prova da competição para decidir quem iria carimbar o passaporte para a China.
Couto poderia se classificar mesmo se não vencesse, mas, para isso, precisava ficar imediatamente atrás de Zarif na linha de chegada. O início da prova foi desastroso para o carioca. Ele largou mal e contornou a primeira de quatro bóias em último lugar. Couto, porém, se recuperou e terminou em terceiro lugar, garantindo a vaga.
O resultado, porém, só foi confirmado ^quatro horas depois do fim da regata. jorginho Zarif e seu pai fizeram quatro protestos diferentes para que Jorginho ficasse com a vaga olímpica.
Apenas um dos protestos foi aceito, mas não alterou o resultado final da competição. Couto foi eliminado da última regata, ao lado de Jorge Zarif. Com isso, Jorginho, que tinha sido o quinto, subiu para o terceiro lugar, mas o resultado não foi o suficiente para ele passar Couto na soma geral de pontos.
"Foram duas semanas exaustivas. Agora eu não quero pensar no futuro, quero apenas descansar. Era sonho de garoto disputar as Olimpíadas e agora estou classificado. Dedico a vaga à minha mãe, que está aqui, e ao meu pai, que infelizmente não viveu para me ver chegar até aqui", disse o velejador, claramente emocionado.
A disputa na água já tinha sido ameaçada por um tapetão na quinta-feira, quando Jorginho Zarif e seu pai, Jorge, quinto colocado na classificação geral, contestaram a inscrição de Couto e do terceiro colocado, o catarinense César Gomes Neto. Os dois não teriam inscrição na Associação Brasileira da Classe Finn e, por isso, estariam competindo irregularmente.
A polêmica foi até a manhã desta sexta-feira, quando os juízes da competição decidiram não aceitar o protesto dos Zarif. Com isso, Gomes, que também protestava os Zarif por jogo de equipe, resolveu também retirar seu protesto, em acordo para que a decisão acontecesse nas duas últimas regatas desta sexta.
"O Jorginho é um grande velejador, amadureceu muito. Acho que se a competição tivesse mais cinco ou seis regatas, a vaga seria dele. Ele estava velejando bem em todos os tipos de vento", elogia Couto.
Com a vaga olímpica na mão, Couto deve competir na seletiva de Laser, a partir do dia 22, também no Rio de Janeiro. Fazendo campanha olímpica há seis anos, Couto se dedica à Laser e só entrou na competição da Finn como treinamento.
"Eu só queria ritmo de regata para a seletiva. Não tinha a pretensão de vaga. Sabia que eu só poderia conseguir a classificação em situações muito específicas, de ventos fracos. E foram justamente essas condições que marcaram a seletiva, por isso eu consegui velejar bem. Sem vento, o Laser e o Finn são barcos muito parecidos", explica Couto.
* Atualizado às 19h