Com a desvalorização dos velejadores, o time brasileiro de vela nas próximas Olimpíadas deve ficar cada vez mais jovem, menos experiente e com nível técnico menor. Esse é o temor de veteranos como Alexandre Paradeda, de 35 anos, três Olimpíadas no currículo, que pela falta de apoio trocou o posto de velejador pelo de técnico.
"Se não surgir dinheiro, os caras se afastam. O Joca (João Signorini, 10º lugar na Finn em Atenas-2004) mesmo. Surgiu a oportunidade da volta ao mundo e ele não pensou duas vezes. O Bochecha (André Fonseca, 6º na 49er) fez a Volvo (Ocean Race, a regata de volta ao mundo) e foi aí que arrumou dinheiro para seguir se dedicando, mesmo ganhando menos. Eu tive de me afastar", alerta Paradeda, que será um dos técnicos do time brasileiro em Pequim-2008.
"O que acontece com isso? Os mais novos, aqueles que estão com aquela vontade de ir para as Olimpíadas, acabam fazendo campanha. Mas esse não é o caminho para fazer bons resultados", completa o velejador gaúcho.
André Fonseca, que em janeiro carimbou passaporte para sua terceira Olimpíada, considera a campanha por Pequim a mais difícil da carreira. "Eu fiz três campanhas olímpicas e, financeiramente, essa é a pior. Tivemos um momento muito bom para o esporte. Um barco que deu a volta ao mundo, colocou a vela em evidência no país. Tivemos um baita resultado em Atenas. Teríamos uma equipe com maior experiência e melhor nível técnico em Pequim, com muito mais chance de medalha, e mesmo assim, é a pior situação financeira disparado que eu já enfrentei", confessa.
A gaúcha Fernanda Oliveira, outra que vai para sua terceira Olimpíada, vai no mesmo caminho. Segundo ela, o apoio logístico da Confederação Brasileira em competições internacionais, com passagens e equipamentos, melhorou. Os salários baixos, porém, ainda fazem a diferença.
"Para ser atleta hoje você depende muito mais da sua condição financeira pessoal, da ajuda que sua família pode dar, do que da sua remuneração. Eu tenho patrocinadores, mas ainda assim, mal consigo bancar a campanha sozinha", admite a velejadora de 27 anos, que compete na classe 470 ao lado de Isabel Swan.