UOL Olimpíadas 2008 Notícias

15/02/2008 - 08h09

Desde 2007, Confederação tenta acertar contas sem patrocínio nenhum

Bruno Doro
No Rio de Janeiro
Em janeiro de 2007, Lars Grael e Alan Adler assumiram o comando da então Federação Brasileira de Vela e Motor prometendo renovar o esporte. Em menos de um mês a dupla deixou a função, a entidade foi alvo de intervenção e hoje tem um presidente indicado pelo Comitê Olímpico Brasileiro.

Em quatro anos, o velejador perdeu valor. Nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, cada membro da equipe olímpica brasileira recebia R$ 5.000,00. Para os Jogos de Pequim, em 2008, os salários mensais dos classificados despencou para R$ 2.000,00, em uma queda de 60 %.

Tudo isso apesar do melhor desempenho da modalidade na história olímpica. Em Atenas-2004, foram duas medalhas de ouro, um quarto lugar e mais três barcos colocados entre os dez primeiros. O primeiro ouro foi na classe Star, com a dupla Torben Grael e Marcelo Ferreira. O segundo, na Laser, com Robert Scheidt. Ricardo Winicki, o Bimba, na Mistral, foi quarto.

O resultado dessa desvalorização foi uma debandada do time olímpico. Dos nove velejadores que terminaram entre os dez primeiros na Grécia, quatro abandonaram a vela olímpica. Grael e Joca Signorini (10º na Finn), por exemplo, preferiram dar a volta ao mundo - por altos salários. Alexandre Paradeda e Bernardo Arndt (7º lugar na 470) simplesmente abriram mão de bancar a campanha.
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A atual Confederação Brasileira de Vela (a troca de nome foi confirmada no meio de 2007), sob o comando do interventor Carlos Luiz Martins, luta para acertar as pendências jurídicas enquanto prepara o time para as Olimpíadas de Pequim. Não é de se espantar, portanto, a situação da modalidade mais vitoriosa do país em Olimpíadas às vésperas dos Jogos da China.

Devido à ligação de pouco mais de 11 anos com o Bingo Augusta, a entidade foi multada pela Receita Federal em R$ 107.090.102,89, segundo a Folha de S.Paulo. Com isso, não pode correr atrás de patrocínio via lei de incentivo fiscal e ainda assusta empresas que poderiam fazer parcerias mesmo sem contar com o desconto nos impostos.

"Os processos continuam correndo e são preocupantes. Nossos tramites jurídicos são lentos e me surpreende que uma entidade sem fins lucrativos, que deu tantas alegrias ao Brasil, seja penalizada por uma imperfeição na lei", reclama Martins, que prevê um longo reinado como presidente da CBVM.

"Só Deus sabe quando eu poderei deixar a confederação. Meu objetivo é encaminhar a solução dos problemas jurídicos e fiscais. Uma nova eleição só poderá ser feita quando não existir mais o perigo de responsabilizar a pessoa física dos dirigentes eleitos", completa o dirigente.

Com tantos imbróglios, Martins admite que os velejadores tiveram vida dura nesta campanha olímpica. "Conseguimos evitar que os problemas chegassem aos velejadores, mas somos uma Confederação que só tem a verba da Lei Piva", explica o dirigente, que admite que a remuneração dos velejadores é baixa.

"Isso é ajuda de custo. A razão dessa ajuda é justamente para o atleta ter tranqüilidade, poder ter um mínimo de auxílio. Não é um salário, porque eles valem muito mais do que isso. Mas é o que a Confederação pode dar com o dinheiro disponível".

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