UOL Olimpíadas 2008 Notícias

15/02/2008 - 08h06

Velejador olímpico em Pequim ganha 60 % a menos do que em Atenas

Bruno Doro
No Rio de Janeiro
Em quatro anos, o velejador perdeu valor. Nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, cada membro da equipe olímpica brasileira recebia R$ 5.000,00. Para os Jogos de Pequim, em 2008, os salários mensais dos classificados despencou para R$ 2.000,00, em uma queda de 60 %.

Tudo isso apesar do melhor desempenho da modalidade na história olímpica. Em Atenas-2004, foram duas medalhas de ouro, um quarto lugar e mais três barcos colocados entre os dez primeiros. O primeiro ouro foi na Laser, com Robert Scheidt. O segundo, na classe Star, com a dupla Torben Grael e Marcelo Ferreira. Ricardo Winicki, o Bimba, na Mistral, foi quarto.

O resultado dessa desvalorização foi uma debandada do time olímpico. Dos nove velejadores que terminaram entre os dez primeiros na Grécia, quatro abandonaram a vela olímpica. Grael e Joca Signorini (10º na Finn), por exemplo, preferiram dar a volta ao mundo - por altos salários. Alexandre Paradeda e Bernardo Arndt (7º lugar na 470) simplesmente abriram mão de bancar a campanha.

"A realidade é que hoje os velejadores ganham menos do que ganhavam Em Atenas. Até mesmo em Sydney o velejador ganhava mais. É uma pena. Fizemos resultados bons em Atenas e alguns tiveram de abrir mão da Olimpíada, mesmo sabendo que teriam ainda mais chance agora. O Robert e o Bimba ainda ganham bem, de patrocinadores. Mas quem não tinha patrocínio forte, ou seguiu porque não surgiu nada mais rentável ou pararam, como eu e o Joca", analisa Paradeda.

Aos 35 anos, Paradeda abandonou a campanha olímpica pouco antes de conquistar uma medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro. Hoje, é técnico da seleção brasileira e vai trabalhar diretamente com a dupla da classe 49er, André Fonseca e Rodrigo Duarte, que tentará medalha na China.

"Hoje, minha renda da confederação é maior. Além do mais, como treinador, você abre mão de menos coisas do que como velejador. Velejador é aquela vida, o cara está sempre treinando, sempre na ginástica, sempre em dieta, sempre viajando. Vou continuar viajando, mas o sacrifício é menor e ainda recebo mais. A verdade é que essa conta, sacrifício vezes pagamento, não está fechando para quem veleja", explica Paradeda.

Recebendo menos, os velejadores tem de apelar para o amor ao esporte. A dupla da 49er, por exemplo, chegou perto de abandonar a campanha olímpica no ano passado. Fonseca e Duarte só continuaram porque conseguiram apoio de empresas em Santa Catarina, por meio de uma lei de incentivo fiscal estadual.

"Tivemos acesso a esse recurso em Santa Catarina que nos salvou. Olimpíada é satisfação pessoal. Se tivermos que vender as calças, vamos vender para completar o sonho. Não vamos medir esforços. Mas para a próxima campanha, todos vão olhar para trás, fazer as contas e pensar se uma situação como essa vale a pena", admite Fonseca, que parte para sua terceira Olimpíada.

Os R$ 2.000,00 que os classificados vão receber podem parecer uma quantia baixa se comparada com outras campanhas olímpicas. Em Sydney-2000, por exemplo, eles recebiam R$ 3.000,00 do Vasco, que bancava todo o time Olímpico.

Ainda assim, é um valor maior do que a equipe permanente recebia desde 2007. Até o início de 2008, a ajuda de custo da Confederação era de R$ 1.500,00. O aumento, anunciado durante a seletiva olímpica, veio com as verbas do Comitê Olímpico Brasileiro, que apresentou um projeto de preparação olímpica ao Ministério do Esporte e conseguiu verba da Petrobras, por meio de renúncia fiscal prevista na lei de incentivo ao esporte, e redistribuiu para as modalidades classificadas.

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