Rio de Janeiro e São Paulo são as duas potências da vela olímpica brasileira, mas, pelo menos até agora, é o Rio Grande do Sul que monopoliza o time que vai para Pequim. No esporte que mais medalhas deu para o Brasil nos Jogos, os seis primeiros velejadores com passaporte carimbado para a China até agora estão baseados em Porto Alegre.
Com a seletiva brasileira ainda em andamento, apenas três classes já têm os participantes definidos. Na 49er, os escolhidos foram o catarinense radicado em Porto Alegre André Fonseca e o porto-alegrense Rodrigo Duarte. Na 470 masculina, a vaga é dos gaúchos Fábio Pillar e Samuel Albrecht.
Na 470 feminina, a gaúcha Fernanda Oliveira vai às Olimpíadas com a niteroiense Isabel Swan, que teve de morar em Porto Alegre para fazer a campanha olímpica. Não só a cidade une as três duplas. Os seis também competem pelo mesmo clube, o Jangadeiros, às margens do Rio Guaíba.
"Não tem um segredo do Sul. Acho que é uma coisa de rotina intensa de treinamentos, que essas três duplas têm", opina Fernanda Oliveira, que parte para sua terceira Olimpíada. "Quando você tem pessoas em quem se espelhar, está vendo diariamente velejadores que fazem parte da equipe olímpica, o seu nível sobe, você faz o mesmo programa de treinamento e, como sabe que dá certo, se esforça mais", completa André Fonseca, outro veterano de três Jogos.
Únicos estreantes do grupo, Fábio Pillar e Samuel Albrecht acham outra vantagem: "A água no Gauíba é doce. Então, o barco flutua menos e é mais difícil velejar. Quando a gente vai para o mar, é mais fácil", diz o gaúcho.
Os dois personificam o espírito gaúcho que marca o sexteto. A dupla começou a treinar na classe 470 apenas no ano passado, quando o veterano Xandi Paradeda, gaúcho com três Olimpíadas no currículo, deixou a vela olímpica.
Apesar da pouca experiência, os dois surpreenderam no último Mundial da classe, disputado na Austrália. Os dois venceram regatas e chegaram a ficar perto do grupo dos dez melhores da competição, mas terminaram dentro do grupo dos 30 primeiros. Tudo isso na primeira vez que disputaram um torneio internacional.
"A galera do sul tem cultura de treino muito forte. Às vezes, o pessoal de outros lugares fala que treinou muito e treinou quatro dias por semanas. Mas quando você vê alguém do Sul falando que treinou muito, é porque treinou os sete dias da semana", diz Fábio, campeão mundial da classe Laser radial em 2006.