Os gaúchos Fabio Pillar e Samuel Albrecht são a grande esperança brasileira para que o Brasil tenha um barco na classe 470 masculina nas Olimpíadas de Pequim. Para se classificar, os dois precisam terminar o Mundial de Melbourne, a partir do dia 21 de janeiro, entre os oito primeiros colocados de países que ainda não têm a vaga olímpica.
A preparação para a vaga olímpica deve muito aos dois maiores destaques da vela feminina brasileira na atualidade. Pillar e Albrecht são "sparrings" de Fernanda Oliveira e Isabel Swan, dupla brasileira que terminou em quarto lugar no Mundial da classe 470 de 2006, na China, a melhor colocação da história da vela feminina brasileira em classes olímpicas.
As duas duplas treinam juntas em Porto Alegre. "Nossa preparação deve muito às duas. A Fernanda Oliveira é uma excelente velejadora, está na classe há mais de dez anos e anda muito. È bem difícil chegar na frente dela", admite Pillar, campeão mundial de Laser Radial em 2005.
Prova da força de Fernanda e Isabel foi dada em dezembro. No Campeonato Brasileiro da classe, aberto para duplas masculinas e femininas, Isabel e Fernanda foram vice-campeãs, atrás apenas das italianas Giulia Conti e Giovanna Micol, líderes do ranking mundial.
Pillar e Albrecht não disputaram o torneio, realizado no Rio de Janeiro, para continuar treinando nos ventos fortes de Porto Alegre. O Mundial de Melbourne será disputado em condições parecidas com as do sul do país. "Não adianta ir para o Rio e velejar em vento fraco se vamos encontrar vento forte em Melbourne", explicou Pillar.
Guru se divide entre rivaisAlém dos gaúchos, os cariocas Maurício Santa Cruz e Pedro Tinoco vão disputar o Mundial de 470 em busca da vaga olímpica. A dupla brasileira que terminar na frente, dentro da quota olímpica, vai para Pequim. As duas tripulações, porém, tem um guru em comum: o gaúcho Alexandre Paradeda.
Veterano das Olimpíadas de Sydney-2000 e Atenas-2004, Xandi, como é chamado, ajudou na preparação de Tinoco, seu parceiro na conquista da medalha de ouro do Pan-Americano do Rio de Janeiro na classe Snipe, e de Pillar e Albrecht, companheiros de treinos no Rio Grande do Sul.
"O Xandi ajudou todo mundo. Ele abandonou as classes olímpicas, mas ainda tinha muito a ensinar", conta Pillar. "É triste ver um cara como ele fora da vela olímpica, mas acho que isso normal. É preciso muito amor pelo esporte, não tem apoio", completa.