O ano que antecedeu às Olimpíadas de Pequim foi de caos administrativo para o esporte que mais medalhas olímpicas deu ao Brasil. Em 2007, a vela brasileira perdeu patrocinadores, viu dirigentes renunciando e foi controlada, durante todo o ano, por um interventor.
Agora, em 2008, a modalidade tenta dar a volta por cima. A antiga FBVM (Federação Brasileira de Vela e Motor) virou CBVM, para que pudesse passar a receber verba federal de apoio ao esporte. Além disso, é a modalidade que recebe a maior fatia da Lei Piva, com previsão de R$ 2,08 milhões de verba para o ano.
O quadro é animador considerando a crise que a modalidade passou. No começo de 2007, Lars Grael assumiu a presidência da então FBVM prometendo reformar o esporte. Deixou o cargo apenas dez dias depois da posse, por causa dos problemas fiscais da entidade.
Ligada a bingos, que bancaram a FBVM na gestão anterior, a entidade corria o risco de ser obrigada a pagar multas milionárias. Segundo Grael, a renúncia foi feita para "não prejudicar a preparação olímpica da equipe brasileira". Com isso, o COB assumiu a gestão e nomeou um interventor, Carlos Luiz Martins Pereira de Souza, para sanear as contas.
Sob o comando de Martins, a entidade passou por uma reforma geral. Mudou de sede, mudou de nome, ganhou uma página na internet e uma equipe de comunicação. Além disso, o planejamento para 2008 seguiu inalterado.
Estão previstos, por exemplo, uma base na China para que a equipe chegue mais cedo em Pequim para se adaptar às condições de Qingdao, onde serão disputadas as regatas olímpicas. Além disso, foram comprados novos barcos, que serão usados já nos Mundiais Pré-Olímpicos.