Paraolimpíadas

Apesar de investimento recorde, Brasil não atinge meta de ouros na Rio-2016

Matt Hazlett/Getty Images
Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro imagem: Matt Hazlett/Getty Images

Daniel Brito

Do UOL, no Rio de Janeiro

O time paraolímpico do Brasil estabeleceu duas metas públicas para os Jogos do Rio-2016: terminar no quinto lugar no quadro de medalhas a partir do total de ouros, e ir ao pódio todos os dias de competição. Com a prata de Edneusa de Jesus na maratona, no domingo, o segundo objetivo foi cumprido: desde o dia 8 até o 18 de setembro pelo menos uma bandeira brasileira tremulou na cerimônia do pódio.

A primeira meta, o quinto lugar, no entanto, ficou distante de ser atingida. O Brasil nem sequer conquistou a mesma quantidade de ouros de quatro anos atrás, em Londres-2012, quando foi campeão por 21 vezes, e ainda caiu uma posição em relação ao quadro dos Jogos de quatro anos atrás.

O Brasil paraolímpico de 2016 terminou com apenas 14 ouros, de um total de 72 pódios. Essa conta, aliás, é a grande façanha da delegação anfitriã na Rio-2016: aumentar em 63% o total de prêmios desde Londres-2012. Porém, esta nunca foi a meta tornada pública pelo CPB (Comitê Paraolímpico Brasileiro), que sempre se pautou pelo total de ouros. E neste quesito, falhou.

Falhou justamente no quadriênio em que houve recorde de investimento, girando em torno de R$ 300 milhões. É um montante três vezes superior ao injetado no time paraolímpico na preparação para Londres-2012. O CPB, no entanto, se mostrou satisfeito com a atuação brasileira.

“O Comitê Paraolímpico Brasileiro está extremamente satisfeito com a campanha no Rio-2016. Claro que nós havíamos traçado a meta de terminar em quinto lugar a partir da quantidade de ouros, mas esta não era a única. E todas as outras metas foram conquistadas: Foram 72 medalhas, num crescimento superior a 60% em relação a Londres-12, isso é extremamente expressivo. Sob esta ótica, foram os melhores Jogos Paraolímpicos do Brasil em todos os tempos”, disse Andrew Parsons, presidente do CPB.

O que sustentou o Brasil na oitava colocação foi o atletismo, com oito dos 14 ouros brasileiros. A natação, de quem se esperava pelo menos seis ouros, rendeu quatro, todos com um único atleta: Daniel Dias.

Parsons atribuiu ao surgimento de novos atletas da Ucrânia e China nas piscinas. Basta dar uma olhada na dupla de nadadores ucranianos Maksyn Krypak e Denys Dubrov. Eles são da classe S10, com menor grau de comprometimento da mobilidade. Terminaram os Jogos com 16 medalhas, sendo oito de ouro. Desbancaram o até então favorito carioca André Brasil. Foram derrotas que custaram ao Brasil atingir sua meta.

Se tivesse conquistado a mesma quantidade de ouros de Londres-2012, por exemplo, a equipe do CPB alcançaria o quinto lugar no quadro de medalhas.

O que fica de “legado” da Rio-2016 para a delegação do CPB é que 15 atletas que foram ao pódio dentre todas as modalidades têm 23 anos ou menos, o que deixa uma esperança para uma melhora no desempenho para Tóquio-2020. Ciclo dos próximos Jogos Paraolímpicos se inicia em novembro, quando será realizada etapa do Circuito Nacional Loterias Caixa, no recém-inaugurado Centro de Treinamento em São Paulo. Todos os medalhistas da Rio-2016 do Brasil estarão presentes.

Topo