Ela tinha que "andar" só com os braços e agora busca sete medalhas no Rio

Tatyana McFadden nasceu na Rússia com uma má-formação na coluna. Nunca andou. Sua mãe biológica, sem condições de manter a filha deficiente, a deixou em um orfanato em São Petersburgo. O local também não tinha condições ideais.
Até os cinco anos, a garota teve de aprender a se mover usando os braços, já que uma cadeira de rodas era um luxo que não estava disponível para os órfãos. É aí que entra Deborah, cadeirante e ativista dos direitos dos deficientes nos Estados Unidos. Em uma visita à Rússia, ela adotou Tatyana e a vida da garota mudou.
Ao voltar aos EUA, porém, sofreu preconceito: ela tentou fazer parte do time de atletismo de sua escola e foi proibida. Após reclamações da mãe, o técnico a deixou participar dos 400m. Mas depois que todas as outras atletas competiram. Tatyana deu a volta na pista sozinha. “Foi a coisa mais humilhante que já passei”, contou, em entrevista à rádio NPR, dos EUA.
As duas, então, resolveram processar o condado em que moravam pelo direito de praticar esportes dos deficientes. As duas venceram e uma lei estadual (chamada de Lei de Tatyana) foi promulgada, obrigando que as escolas aceitassem deficientes em suas equipes - em 2013, a lei virou federal.
Depois de tanta luta, o status de Tatyana no esporte só aumentou. Ela fez faculdade (participando das equipes de basquete e atletismo) e foi para as duas últimas Paraolimpíadas. Chegou ao Rio de Janeiro com dez medalhas e uma série invicta de quatro anos: desde Londres-2012, ela venceu todas as provas que disputou (incluindo maratonas, com vitórias em Nova York, Boston, Chicago e Londres).
No Engenhão, a série invicta terminou: ela foi prata nos 100m. Mas o desafio é ainda maior. Tatyana está inscrita em todas as provas para cadeirantes da Rio-2016, da mais curta (os 100m) até a mais longa (a maratona, com 42km).
Sobre a mãe de Tatyana
Deborah McFadden, em uma cadeira de rodas por causa da síndrome de Guillain-Barré, fez parte da administração de George Bush entre 1989 e 1993. Ela foi a principal responsável pelo Ato dos Americanos com Deficiência, de 1990, que regula direitos trabalhistas e de acessibilidade no país. Além de Tatyana, ainda adotou outras duas garotas, Hannah, que também é atleta paraolímpica e está na Rio-2016, e Ruthi, que não é atleta – ambas nasceram na Albânia.