Público encara calor para não atrapalhar ciclistas no Velódromo

Pedro Ivo Almeida
Do UOL, no Rio de Janeiro
Eric Gaillard/Reuters
Temperatura nas provas de ciclismo deve ficar em torno dos 27º

Obra mais polêmica e atrasada dos Jogos Rio-2016, o Velódromo entrou oficialmente em cena na última quinta-feira (11). As disputas por equipes (velocidade e perseguição) marcaram o primeiro grande teste do questionado equipamento no Parque Olímpico. E mesmo com todas as preocupações estruturais, a pista não apresentou problemas para os atletas e passou na primeira avaliação. Nas arquibancadas, no entanto, algumas reclamações.

A principal delas era sobre o calor que incomodava parte do público. Sem o costume de acompanhar provas de ciclismo de pista in loco, brasileiros não entendiam o motivo da temperatura considerada alta e questionavam se o sistema de refrigeração estava ativo.

O ar, de fato, funcionava. Mas não da maneira considerada ideal para o público que buscava cervejas nos bares para se refrescar.

"Está tudo funcionando normalmente, não temos registros de problemas. Na questão do ar, é algo normal. Deixamos a temperatura na casa dos 27, 28 graus. Não podemos aumentar a potência da refrigeração por conta da competição. Um vento forte interfere no atrito dos atletas com o ar na pista, é algo que pode atrapalhar, ser decisivo numa prova. Quanto maior a temperatura, menor a densidade do ar e maior a velocidade dos ciclistas", explicou Georg Spaizer, gerente do Velódromo.

"É uma experiência nova para nós, brasileiros. Sinceramente, nunca ouvi falar disso. Algo até diferente aqui nos Jogos. Cheguei a sentir frio em outras arenas", contou o administrador Luiz Barroso, que acompanhava as competições.

Ponto cego em lugar de R$ 540

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Outro ponto, este sem maiores explicações da organização, foi a presença de pontos cegos em assentos de preço elevado na arena. Na parte inferior das cadeiras, por exemplo, torcedores que pagaram caro não tinham visão total da pista.

"Paguei R$ 540 para tentar ficar em um local bem bacana e não vejo tudo. Acabamos perdendo uma parte da prova. Se soubesse, pagava menos de R$ 300 e assistia lá em cima. Me parece ser a visão mais completa na pista. Mas agora não tenho muito a fazer", lamentou o economista Pedro Padilha.

Ao menos dois pontos cegos foram registrados pela reportagem. Um deles pela questão de se ter uma pista íngreme, onde a parte de baixo não é observada, algo considerado normal pelos organizadores, e outro prejudicado pela instalação de andaimes de suporte para câmeras de TV. Neste, com visão ainda mais prejudicada, o ingresso ultrapassava os R$ 200.

"As visões são boas. A pista não é reta, acaba se perdendo uma parte, mas isso é assim mesmo em todos os locais", minimizou Georg Spaizer, responsável pelo Velódromo.

Com as pistas em boas condições, segundos os atletas, e com direito a quebra de recordes mundial na prova de perseguição por equipes femininos neste primeiro dia, o ciclismo de pista terá continuidade nesta sexta (12). O único brasileiro na modalidade, Gideoni Monteiro, competirá no domingo (14).

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