Atletas do Brasil veem torcida como trunfo por medalha: "Oitavo jogador"

Eduardo Ohata
Do UOL, no Rio de Janeiro

A vitória do Brasil sobre a Polônia por 34 a 32, neste domingo, na Arena do Futuro, encheu os atletas da casa de otimismo para a sequência na Olimpíada. Além da satisfação por surpreender os europeus – candidatos a uma medalha no Rio de Janeiro –, a seleção brasileira de handebol deixou a quadra satisfeita pelo apoio do público, que abafou os cânticos poloneses e gritou com intensidade durante os dois tempos.

O bom desempenho em quadra neste domingo e a presença da torcida fazem com que os jogadores brasileiros, apesar da falta de tradição do país na modalidade, sonhem com uma medalha.

"[A vitória contra a Polônia] É um passo muito pequeno para o nosso time. Nosso sonho é fazer história. Queremos fazer mais. Queremos nos classificar e pegar uma medalha", contou Toledo, em entrevista ao Sportv.

O discurso de Toledo foi endossado por João, que vê a força da torcida como um oitavo jogador: "Ninguém vem para a Olimpíada pensando em ficar em sexto. Todo mundo pensa em medalha".

Para Chiuffa, "não há maneira melhor de estrear em uma Olimpíada". A exemplo dos companheiros, ele elogiou o comportamento da torcida, "peça-chave contra a Polônia".

"A torcida como se fosse um oitavo jogador. O estilo de jogo do Brasil é muito vibrante. Isso pode ter um efeito no decorrer da competição", afirmou.

Repetir o sucesso do time feminino é o objetivo

Enquanto a seleção feminina de handebol iniciou a Olimpíada respaldada pelo título no Mundial de 2013, a equipe masculina foi ao Rio sem a mesma badalação e com um grupo formado por jovens desacostumados à atmosfera olímpica.

Apenas um atleta do time masculino, o goleiro Maik, disputou uma edição dos Jogos, em Pequim, há oito anos. A possibilidade de seguir o mesmo caminho do grupo feminino anima os comandados do técnico Jordi Ribera.

"A equipe feminina já conseguiu fazer história. Estamos seguindo o mesmo caminho, trabalhando a cada dia. Nosso técnico é muito bom, muito detalhista. Estamos conseguindo colocar em prática o que ele diz", afirmou Lucas Cândido.

As armas para vencer a Polônia

Chiuffa ressaltou a facilidade que os poloneses têm nos arremessos de fora da área. A característica, no entanto, foi bloqueada pela boa atuação do sistema defensivo do Brasil neste domingo. 
 
Toledo, que atua na liga polonesa de handebol, contou que trocou informações com os companheiros de seleção sobre os adversários deste domingo. As análises durante a preparação surtiram efeito, segundo ele. 
 
"Isso fez um pouco de diferença. Jogo na Polônia e conheço a maioria do time. Só dois [da seleção adversária] não jogam na Polônia. Avaliamos um por um e conseguimos sair com a vitória", disse.