Olimpíadas 2016

Dá para perder todas e sair da Rio-16 satisfeito? Para rúgbi do Brasil, sim

Foto: João Neto/FOTOJUMP
Nick Smith conduz a bola durante partida da seleção brasileira de rúgbi de sete imagem: Foto: João Neto/FOTOJUMP

Bruno Doro

Do UOL, em São Paulo

Esporte é vitória? Em muitos casos, sim. Para o rúgbi do Brasil, o resultado de uma partida é importante, mas no atual momento a maior preocupação é ser competitivo. Quando os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro terminarem, é possível que a seleção brasileira não ganhe nenhum jogo. E nem por isso a participação será considerada um fracasso.

“O importante, para o Brasil, é ser competitivo em todos os jogos. É preciso ter os pés no chão para estabelecer metas. Nós jogamos 30 vezes contra rivais do Circuito Mundial. E não ganhamos nenhuma partida”, diz o técnico do time masculino, Andrés Romagnoli. “Isso não quer dizer que não temos chance. O rúgbi sevens é um esporte dinâmico, são dois tempos de sete minutos. Se conseguirmos forçar erros dos rivais e, principalmente, capitalizarmos esses erros, é possível vencer”, completa o técnico.

Faz sentido quando se olha a estrutura do esporte por aqui. O esporte tem apenas seis federações estaduais e pouco mais de 11 mil praticantes. É um esporte pequeno. Segundo o Ministério do Esporte, em relatório de 2013, apenas 0,1% da população se declara praticante de rúgbi – como comparação, o futebol responde por uma fatia 42,7%, contra 8,2% do vôlei, 1,5% do basquete e 0,8% do tênis.

O plano da Confederação Brasileira, porém, é consistente: existe uma rede de incentivo ao esporte nos seis estados, uma estrutura que tenta inserir a prática do rúgbi em colégios e uma rede de clubes que pode absorver os jogadores que saem das escolas, além de academias estaduais que vão preparar os atletas mais talentosos –do ponto de vista técnico e físico – para seleções de base.

Esse projeto começou há pouco tempo, depois que o rúgbi voltou ao programa olímpico. Os atletas convocados para a Rio-2016 não saíram dessas academias. Por isso mesmo, existe uma defasagem. “Hoje em dia, estamos em um nível muito bom de condição física, mas o tamanho ainda é uma questão. É preciso aumentar a captação de talentos para que as seleções tenham um grupo de atletas maior para escolher. Com isso, teremos mais atletas grandes e talentosos”, falar Romagnoli.

O exemplo que ele usa é Fiji: segundo o treinador, o time da Oceania deve contar, nos Jogos do Rio, com quatro atletas com mais de 1,90m. Além de fortes, são rápidos e técnicos. Enquanto isso, a convocação do Brasil tem seis jogadores na casa dos 1,70m. "Os brasileiros são rápidos e muito técnicos. E gostam do contato. Mas durante uma competição, esses contatos se acumulam e, ao fim do torneio, a diferença de tamanho se faz sentir", analisa o argentino.

Os jogadores brasileiros admitem tudo isso. Sabem que ainda não venceram os três rivais que vão enfrentar nos Jogos – Fiji é nº 1 do ranking do circuito mundial e Argentina e EUA estão em quinto e sexto lugares. Mas estão longe de se contentar com derrotas.

“Nosso retrospecto contra essas equipes é de não-vitória. A gente não conseguiu ganhar nenhum jogo no circuito mundial. Mas não é por isso que eu vou sair satisfeito só perdendo. Eu vou para lá para ganhar. Nunca estou satisfeito, apesar de todas as derrotas”, diz Lucas Duque, o Tanque, capitão da seleção.

Nem mesmo o tamanho (ou a falta de…) é atenuante: “Não somos tão grandes. Mas dois baixinhos conseguem parar um gigante. Aliás, um baixinho encara qualquer um. E ganha. Nós podemos ganhar, sim”, avisa o jogador, de 1,70m. “Nós sabemos que somos um esporte em evolução. Não ganhamos nenhum jogo no Circuito Mundial, mas só de disputar uma etapa é uma vitória. E estamos formando uma nova geração que, em 2020, vai estar incomodada com a derrota e, o mais importante, vai chegar com chances muito maiores de vencer. O vôlei brasileiro, hoje, só joga com pressão de conquistar a medalha de ouro porque, em um momento, passou pelo estágio que estamos hoje”, finaliza.

Mulheres lutam por classificação

Com a seleção feminina, as coisas mudam de figura. O time verde-amarelo é o melhor da América do Sul e um dos 10 melhores do mundo. São 91 jogos no circuito mundial, com 18 vitórias – o masculino tem 53 derrotas em 53 jogos… Na Rio-2016, enfrenta Canadá (4 do mundo) e Grã-Bretanha (a Inglaterra, base do time, é nº 5), além do Japão, que está atrás das brasileiras no ranking.

“O time do Canadá é forte. As britânicas também, mas temos feitos jogos muito parelhos contra as inglesas, que devem formar a base do time no Rio. E o Japão está em nosso nível. É possível vencer”, analisa o neozelandês Chris Neil, técnico da equipe.

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