Olimpíadas 2016

Atualizada em 24.06.2016 18h13

Laboratório é suspenso, e sistema antidoping da Rio-2016 fica prejudicado

Francisco Medeiros/Divulgação
Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD) imagem: Francisco Medeiros/Divulgação

Do UOL, em São Paulo

A Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) emitiu um comunicado em que informa que suspendeu o credenciamento do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD – LADETEC), onde está prevista a realização de todos os exames antidoping durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O motivo, segundo a agência, é a não conformidade com o Padrão Internacional de Laboratórios (ISL, na sigla em inglês). 

A suspensão entrou em vigor na última quarta-feira, quando o laboratório foi notificado, proibindo-o de realizar as análises de amostras de urina e sangue. O LBCD pode recorrer da decisão para o Tribunal Arbitral dos Esportes (TAS) no prazo de 21 dias. A irregularidade que levou a cassação da acreditação não foi divulgada.

"Enquanto isso, a Wada irá trabalhar em estreita colaboração com o Laboratório Rio para resolver o problema identificado. A Agência garantirá que, por enquanto, as amostras que seriam destinadas ao laboratório serão transportadas de forma segura e rápida para outro laboratório credenciado pela WADA em todo o mundo. Isso irá garantir que não haja lacunas nos procedimentos de análise de amostra de antidopagem e que a integridade das amostras serão totalmente mantidas. Os atletas podem ter a confiança de que a suspensão só será encerrada pela WADA quando o laboratório estiver operando de forma otimizada; e que a melhor solução será posta em prática para garantir que a análise da amostras para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio tenha segurança", disse Olivier Niggli, diretor geral da Wada.

UOL Esporte apurou que o próprio laboratório identificou o problema de procedimento e informou à WADA num dos testes de rotina. Ciente do erro, a Agência resolveu suspender o credenciamento do LBCD. A decisão que acontece em meio ao escândalo de doping envolvendo atletas e a Federação Russa de Atletismo, que gerou mais rigidez da WADA no controle de dopagem. Em julho, um mês antes da Rio-16, a Agência realizará novos testes no laboratório brasileiro, que espera resolver o problema até lá.
 
Diante do atual cenário, o Comitê Rio-2016 tem duas possibilidades: enviar as amostras coletadas durante a Olimpíada para quem sejam analisadas em um laboratório fora do país ou que técnicos internacionais trabalhem no laboratório brasileiro. Em caso de envio ao exterior, o principal problema é o tempo para que os resultados sejam obtidos, podendo tardar até cinco dias. Com isso, muitos resultados só sairiam após o término da Olimpíada.
 
A Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), responsável por todos os controles antidoping feitos no Brasil, se manifestou por meio de uma nota oficial em seu site. O presidente da entidade, Marco Aurélio Klein, não irá dar entrevistas no momento.
 
"A Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem - ABCD reitera a importância do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem - LBCD para a realização dos testes antidopagem durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, e como legado técnico-científico na luta contra a dopagem no esporte. A ABCD confia no trabalho desempenhado pelo laboratório – com mais de 2,5 mil testes realizados desde sua inauguração – e tem a forte expectativa de que a instituição tomará todas as providências necessárias para que a suspensão provisória imposta preventivamente pela Agência Mundial Antidopagem - WADA-AMA seja revista o mais breve possível", diz o comunicado oficial.
 
O Comitê Organizador dos Jogos informou que este problema não afetará o combate ao doping durante a Olimpíada.
 
"O controle de doping é fundamental para os Jogos e esta situação não abala o compromisso que temos com os Jogos limpos. Estamos aguardando as orientações da Wada para saber os próximos passos", afirmou à reportagem Mário Andrada, diretor-executivo de Comunicação da Rio-16. 
 
Em 2014, por causa da falta de um laboratório credenciado no país, os exames da Copa do Mundo de Futebol foram feitos em um laboratório na Suíça. Cerca de 9.500 amostras foram analisadas a quilômetros do Brasil.
 
Já visando à Olimpíada de 2016, o governo federal investiu R$ 190 milhões em obras e equipamentos para o laboratório.
 
Com a suspensão do laboratório ficam prejudicados também os testes em competições nacionais e fora de competição realizados pela ABCD.

Laboratório que espera voltar a funcionar em julho

Em nota oficial, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável pelo LBCD informou que espera resolver os problemas até o próximo mês.

"O Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem (LBCD) foi informado pela Agência Mundial Antidopagem (Wada) sobre a suspensão temporária do laboratório para análise de amostras. O LBCD reforça sua excelência, bem como sua capacidade técnica e ética para a realização das análises. O laboratório prevê que suas operações poderão voltar ao normal em julho, após a visita técnica do comitê da Wada. As equipes profissionais, instalações e equipamentos do LBCD representam o que há de mais moderno no mundo em controle de dopagem. Nos últimos doze meses, o LBCD foi aprovado nas auditorias realizadas in loco pela Wada e correspondeu com êxito às análises de todas as amostras com testes-cegos realizadas pela agência. Só este ano, o laboratório já realizou com sucesso cerca de duas mil análises de amostras de urina e sangue. Esse padrão de excelência está mantido e poderá ser conferido na próxima inspeção da Wada", diz o comunicado.

 
 

 

 

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