Agência mundial diz que crescimento do doping no Brasil serve de recado aos atletas

Gustavo Franceschini
Do UOL, em Londres (ING)

A Wada (Agência Mundial Antidoping, na sigla em inglês) está com o Brasil na mira. A autoridade vê o crescimento dos casos no país como um resultado da melhoria no controle, e acha que a repercussão pode servir de recado aos atletas que pretendem usar drogas para melhorar o rendimento no futuro.

“O Brasil está estabelecendo uma agência. Também estamos trabalhando com o laboratório para que ele fique do jeito que a gente quer. O controle melhorou 100% nos últimos meses. Demora para que as pessoas entendam os riscos. O número de atletas pegos é uma mensagem aos atletas e técnicos do país”, disse David Howman, diretor-geral da Wada, em uma coletiva de imprensa no centro de mídia dos Jogos Olímpicos.

Até alguns meses atrás o Brasil não tinha uma autoridade no assunto. Recentemente, foi criada a ABCD (Agência Brasileira de Controle de Dopagem), que será comandada por Marco Aurélio Klein, funcionário do Ministério do Esporte. Até então, a divulgação e o acompanhamento dos casos era descentralizado, e na maioria das vezes ficava nas mãos do Ladetec, maior laboratório do assunto no país.

Só que o órgão sofreu um baque neste ano, quando foi parcialmente suspenso pela Wada após errar no exame antidoping de Pedro Solberg, atleta do vôlei de praia. Com a cooperação da recém-criada ABCD, a autoridade mundial de antidoping trabalha para organizar o sistema no Brasil, que vem ganhando uma notoriedade negativa no assunto.

Nos últimos anos, diversos atletas foram pegos com diferentes substâncias e receberam punições igualmente distintas. O número exato não é público. Nesta quarta-feira, por exemplo, o jornal Lance! mostrou que Fernando Reis, atleta do levantamento de peso, foi pego em um antidoping no ano passado em um campeonato universitário nos Estados Unidos e cumpriu uma pena de seis meses por isso.

O gancho acabou apenas três dias antes dele conquistar a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, seu maior feito no esporte até o momento. Como o caso aconteceu fora do país, ele não foi sequer divulgado pelas autoridades competentes até hoje.

Entre os atletas que estão em Londres, o caso de doping mais famoso é o de Cesar Cielo, pego com a substância furosemida ao lado de três outros companheiros de natação no ano passado. O caso dele foi parar na Corte Arbitral do Esporte e ele foi apenas advertido, enquanto outros esportistas pegos com a mesma substância sofreram outro tipo de sanção.

A ausência de um gancho permitiu a Cielo participar e vencer o Mundial de Desportos Aquáticos do ano passado, e inflou seus críticos. Mesmo quase um ano após o caso, o campeão olímpico Alexander Popov disse na última terça ao jornal O Estado de S. Paulo que ele e muitos outros na natação não ficaram satisfeitos com o desfecho do caso. A Wada discordou do russo.

“Ele foi julgado e absolvido. Para mim é um processo justo. Nós respeitamos o tribunal”, resumiu David Howman quando questionado especificamente sobre o caso de Cielo.



Shopping UOL