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Técnico da seleção feminina de basquete renuncia ao cargo em meio a crise

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Zanon comandava a seleção brasileira desde março de 2013 imagem: AFP PHOTO / OZAN KOSE

Fábio Aleixo

Do UOL, em São Paulo

O técnico da seleção brasileira feminina de basquete, Luiz Augusto Zanon, renunciou ao cargo nesta sexta-feira, alegando problemas de saúde. O anúncio foi feito por meio de comunicado no site da Confederação Brasileira (CBB) e vem em um momento de crise para a modalidade. Os seis clubes que disputam a Liga de Basquete Feminino (LBF) estão em litígio com a CBB e ameaçam não liberar atletas para o evento-teste da Olimpíada, em janeiro. O movimento das agremiações exige que um colegiado de treinadores defina convocações e programação do time nacional.

"Venho a público declarar a difícil decisão que tomei para abdicar do cargo de técnico da seleção brasileira adulta feminina, para preservar meus problemas de saúde, pois temo não permitir a dedicação e a intensidade necessárias para conduzir a equipe brasileira, da forma que entendo, em uma competição da importância que tem o torneio de basquete dos Jogos Olímpicos. Pela história que construí no basquete, modalidade que amo e que trato com o respeito devido, raro hoje em dia, preferi sofrer com esse afastamento voluntário, do que sofrer por não estar em condição momentânea de cumprir uma parte importante e fundamental do projeto, que criamos e desenvolvemos desde 2013 e que, com absoluta certeza, será vencedor no tempo devido", disse.

"Quero deixar aqui os meus votos de sucesso para o novo treinador que a CBB venha a contratar, já me colocando à disposição para transmitir todas as informações das quais ele venha precisar, embora nossa comissão técnica tenha totais condições e competência para isso”, afirmou o treinador que trata de uma hérnia de disco e poderá ser submetido a uma cirurgia em breve", continuou.

"Registro, também, que essa decisão é pessoal e contrária à vontade da CBB. Desejo a todos da Confederação o sucesso que merecem. Conheci todas as dificuldades que as pessoas que lá trabalham têm na condução da modalidade e pude comprovar que todo o trabalho é limitado exclusivamente pela falta de recursos e não por falta de conhecimento ou comprometimento. Sempre fui respeitado como pessoa e profissional. Aproveito para agradecer a cada integrante da comissão técnica e as atletas que comandei pelo seu profissionalismo e dedicação", completou Zanon.

Zanon ocupava o cargo desde março de 2013. No período, obteve a terceira colocação da Copa América do México 2013, a 11ª colocação do Mundial Feminino da Turquia em 2014, a quarta posição nos Jogos Pan-Americanos de Toronto e o quarto lugar na Copa América do Canadá em 2015.

"Nunca falei que estava fazendo um projeto para mim e visando a resultados imediatos. Implantei uma filosofia e precisava de mais tempo. Contribuí como podia. O tempo vai dizer quem está certo. Tenho convicção do meu trabalho e estou tranquilo. Só fico chateado de não poder ter chegado ao fim do processo. Tudo ficou pelo caminho. Talvez um outro se beneficie disso no futuro", afirmou o treinador em entrevista ao UOL.

'É uma grande oportunidade para a CBB'

Idealizador do movimento que pede mudança na gestão da CBB em relação ao basquete feminino e a formação de um colegiado técnico, Ricardo Molina, presidente do Corinthians/Americana, viu com bons olhos a decisão de Zanon.

"A proposta dos clubes ainda não foi atendida. Em função da saída do Zanon por problema de saúde, a CBB tem a maior oportunidade para mudar o basquete feminino definitivamente", afirmou.

 

 
 

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