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Lava Jato vai investigar contratos da Olimpíada do Rio, diz delegado da PF

Caroline Stauffer

Da Reuters, em São Paulo

Os integrantes da operação Lava Jato pretendem investigar contratos de obras relacionadas aos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, que chegam a cerca de 40 bilhões de reais, afirmou um delegado da Polícia Federal que está à frente das operações.

A PF acredita que algumas das empreiteiras sob investigação por fazerem parte de um esquema de corrupção em obras da Petrobras "muito provavelmente" cometeram irregularidades como acerto de preços e pagamento de propina para obter contratos de construções olímpicas, segundo o delegado Igor Romário de Paula.

"Em todas as situações em que alguma investigação foi feita nas contratações dessas empresas esse modelo de corrupção se repetiu", disse o delegado à Reuters em entrevista por telefone. "É possível que tenha se repetido também para as obras da Olimpíada de 2016", afirmou, acrescentando que a possibilidade será investigada "na sequência", sem estipular prazo.

Até agora, segundo o delegado, não existem provas de crimes relacionados a obras dos Jogos Olímpicos.

Os investigadores, disse ele, ainda estão concentrados no foco principal da Lava Jato, que investiga esquema de corrupção na Petrobras envolvendo empreiteiras, com o pagamento de propinas para executivos da estatal e políticos em troca de vitórias nas licitações.

Das cerca de 30 empresas sendo investigadas pela Controladoria-Geral da União (CGU), cinco estão construindo a maior parte das instalações esportivas e de infraestrutura dos Jogos, ao custo de quase 40 bilhões de reais.

A Odebrecht [ODBES.UL], maior empreiteira da América Latina, está envolvida em mais da metade dos projetos olímpicos no tocante ao valor, de acordo com contratos vistos pela Reuters. O executivo Marcelo Odebrecht, presidente da companhia e neto de seu fundador, está preso desde junho e sob julgamento por acusação de corrupção no caso Petrobras.

As outras quatro construtoras envolvidas na maior parte do restante das obras olímpicas são OAS [OAS.UL], Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Carioca Christiani Nielsen Engenharia.

O presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho, foi condenado a 16 anos e quatro meses de prisão em agosto em função das acusações de corrupção no inquérito da Petrobras. Executivos da Andrade Gutierrez e da Queiroz Galvão foram postos em prisão preventiva e também enfrentam denúncias de corrupção.

Odebrecht e Andrade Gutierrez se recusaram a comentar as declarações do delegado sobre investigação envolvendo os Jogos. As outras empresas não responderam a pedidos por comentários.

A realização de uma Olimpíada segura e livre de escândalos é importante para o Brasil, que enfrenta um momento de inúmeras denúncias de corrupção e passa por uma recessão econômica.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), vem repetindo que a Olimpíada pode ser um exemplo para o mundo de como o Brasil é capaz de realizar um evento bem-sucedido e livre de problemas de corrupção.

A Prefeitura do Rio está supervisionando a maior parte dos projetos de construção, embora alguns sejam financiados pelos governos federal ou estadual, e o comitê organizador Rio 2016 esteja tratando de estruturas temporárias.

Procurada pela Reuters, a prefeitura disse que todos os contratos são transparentes e se colocou à disposição das autoridades para qualquer esclarecimento.

O delegado Igor Romário de Paula, que faz parte da equipe de investigadores da Lava Jato sediada em Curitiba, disse ainda que a PF pretende continuar a expandir a investigação para além da Petrobras, ainda que o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha desmembrado partes do inquérito não diretamente relacionadas com a estatal e encaminhado a outros Estados.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e outros departamentos de infraestrutura do governo também são alvos em potencial dos investigadores, segundo o delegado.

(Reportagem adicional de Stephen Eisenhammer, no Rio de Janeiro)

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