Duas derrotas iguais em Mundiais. Desta vez, brasileira perdeu a 1s do fim

Do UOL, em São Paulo

Erika Miranda deu ao país sua primeira medalha no Mundial de judô, mas a cor que ela queria não era o bronze. Não fosse um vacilo no segundo final da semifinal, a brasileira teria conseguido pelo menos a prata (veja o vídeo acima), repetindo o que já havia acontecido com ela em 2014, na edição anterior do torneio. Escaldada, agora ela fala em focar na parte mental para mudar essa história nas Olimpíadas de 2016.

“Ano que vem vai ser tudo muito diferente. Hoje foi o dia em que ainda tem a possibilidade de errar, no Rio tem de ser só os acertos. Acho que fisicamente e tecnicamente tem coisa a ser ajustadas, mas o diferencial agora vai ser a parte psicológica”, disse Erika Miranda após a conquista do bronze em Astana, no Cazaquistão.

Foi a terceira medalha da “vovó do judô” em Mundiais. Aos 28 anos, ela é a mais velha de uma geração vitoriosa do esporte, que cresceu sob o comando de Rosicléia Campos com resultados expressivos. Erika, no entanto, só começou a figurar com mais frequência entre as melhores do mundo nos últimos anos, e mesmo assim ainda não conseguiu o sonhado ouro.

Há pouco mais de um mês ela quebrou essa escrita no Pan de Toronto, quando subiu no lugar mais alto do pódio. Ainda que não fosse uma competição com a nata do judô mundial, a disputa servia como teste para que ela pudesse passar a barreira do quase, objetivo cumprido com sucesso. Na entrevista após a vitória, ela ressaltou que a ansiedade era o mal que a atrapalhara nos anos anteriores.

Aparentemente, o problema não foi totalmente superado. Erika Miranda estava perto de uma grande vitória, contra a japonesa Misato Nakamura, àquela altura já bicampeã mundial. A brasileira tinha vantagem até o segundo final, quando um descuido permitiu que a rival acertasse um wazari e vencesse, para depois conseguir o tri com facilidade na decisão.

Erika não escondeu a frustração. Abatida, por pouco não perdeu o bronze, que veio com uma ajuda da técnica Rosi Campos. “É muito difícil sair de uma derrota para buscar uma vitória. E você está pegando uma atleta que saiu de vitória querendo mais uma. Teve uma hora na luta que comecei a reclamar com o árbitro. Ela deu um berro tão grande: ‘Você vai lutar ou arbitrar?’ Parece que dá aquele sacode e você diz: ‘luto’”, contou a judoca.

O roteiro foi o mesmo de 2014, embora um pouco mais sofrido. No Mundial disputado na Rússia, Erika Miranda perdeu da romena Andreea Chitu na semifinal, a 30 segundos do fim, quando também tinha vantagem. E da mesma forma, teve forças para buscar o bronze. Daqui a um ano, quem sabe, consiga forças para ir até o fim, sem levar nenhum susto no finzinho. 

VEJA O MOMENTO EM QUE ERIKA CONQUISTOU O BRONZE