Rio ignora Ministério e lança sozinho plano de legado olímpico

Vinicius Konchinski
Do UOL, no Rio de Janeiro
Divulgação
Projeto mostra projeto para arenas olímpicas do Rio após Jogo de 2016

A Prefeitura do Rio de Janeiro desistiu de esperar por uma posição do governo federal e lançou nesta quinta-feira (29), cerca de um ano antes do início da Olimpíada de 2016, um plano de legado para as arenas olímpicas da cidade. O plano prevê a transformação dos espaços esportivos em centros de treinamentos e locais para eventos e projetos sociais. Segundo o secretário de Governo do Rio, Pedro Paulo, o plano pode ser realizado mesmo sem o aporte de recursos federais inicialmente previsto para o projeto.

"O Ministério do Esporte pode ser nosso parceiro. Mas, se ele não quiser participar, isso é uma o opção deles", afirmou Pedro Paulo, que apresentou nesta manhã o plano de legado elaborado pela prefeitura. "A cidade não pode ficar parada esperando discussões. Tomamos à frente para realizar obras olímpicas, e a mesma energia com que estamos fazendo as obras vamos empregar no plano."
 
O Ministério do Esporte já informou várias vezes que desejava transformar as arenas olímpicas em um centro nacional de treinamento. O órgão, contudo, nunca apresentou uma proposta concreta para isso. Foi, aliás, cobrado mais de uma vez pelo TCU (Tribunal de Contas da União), que demostrou certa preocupação com a possibilidade das arenas olímpicas virarem "elefantes brancos".
 
O prefeito Eduardo Paes também havia cobrado publicamente o Ministério do Esporte sobre o legado das arenas. Segundo ele, se nada fosse apresentado até o início do segundo semestre, a prefeitura tomaria uma atitude e elaboraria o seu plano para o futuro das espaços.
 
Dito e feito. Faltando poucos dias para o início da contagem regressiva de um ano para a Olimpíada, a prefeitura convocou a imprensa e apresentou, sem qualquer participação do Ministério do Esporte, um projeto para as arenas para depois dos Jogos de 2016.
 
Segundo Pedro Paulo, cada arena do Parque Olímpico --algumas delas bancadas exclusivamente com recursos do governo federal-- terão uma função específica após a Rio-2016. O velódromo, por exemplo, será transformado em um centro de treinamento de ciclismo e abrigará projetos sociais. Já a arena olímpica do judô será transformada numa escola municipal voltada ao esporte (veja mais abaixo).
 
"Há uma preocupação em aproveitar bem esses equipamentos esportivos não só com esporte", explicou Pedro Paulo. "Haverá espaço para projetos sociais e eventos, que podem ajudar a financiar tudo."
 
O secretário disse que a prefeitura deve definir ainda neste ano qual o valor dos investimentos que serão feitos nas arenas após a Olimpíada é como eles serão pagos. Pedro Paulo vê a possibilidade de uma concessão de algumas arenas olímpicas e da venda de naming rights de ginásios para levantar recursos.
 
No plano da prefeitura, O COB (Comitê Olímpico do Brasil) ajudaria a administrar algumas arenas, principalmente aquelas destinadas ao esporte de alto rendimento. O superintende do comitê, Marcus Vinicius Freire, disse que apoia 100% o projeto municipal de legado.
 
"Estamos conversando há dois anos. Foi a prefeitura quem nos chamou para discutir", disse ele, sem citar o governo federal nas tratativas.
 
Questionado sobre uma possível crise entre a prefeitura e a União, Pedro Paulo disse que Eduardo Paes avisou a presidente Dilma Rousseff que apresentaria seu plano de legado para as arenas. O secretário disse que ainda espera a parceria federal para o projeto.
 
Procurado pelo UOL Esporte, o Ministério do Esporte ainda não se pronunciou.
 

Veja abaixo o planejamento para cada arena:

Arena Carioca 3 – Durante os Jogos será palco das medalhas de esgrima, taekwondo e judô paralímpico. Depois, vai se transformar num Ginásio Experimental Olímpico (GEO), escola vocacionada para o esporte, com capacidade para 850 alunos em horário integral. No GEO serão oferecidas aulas de judô, lutas, tênis de mesa, futsal, badminton, basquete, handebol, vôlei, natação e atletismo.

Arena Carioca 2 – O ginásio que receberá as disputas de judô, luta greco-romana, luta livre e bocha paraolímpica em 2016 será dedicado exclusivamente ao esporte de alto rendimento após os Jogos. As modalidades praticadas serão: levantamento de peso, judô, lutas, badminton, esgrima, ginástica rítmica, ginástica de trampolim e tênis de mesa.

Arena Carioca 1 – A maior das Arenas Cariocas, com capacidade para 16 mil pessoas assistirem às partidas de basquete e rúgbi em cadeira de rodas durante os Jogos, será destinada ao esporte de alto rendimento e à promoção de eventos de diversas naturezas. Também haverá salas destinadas ao esporte.

Velódromo – O espaço poderá receber os melhores ciclistas do Brasil para aprimoramento técnico e também abrigar turmas ligadas a projetos sociais de iniciação esportiva, além de competições internacionais e outros eventos. O centro da pista receberá equipamentos para a prática de outras quatro modalidades: taekwondo, esgrima, boxe e levantamento de peso.

Centro de Tênis – O complexo de 16 quadras durante os Jogos Rio 2016 será reduzido após o evento, mas manterá sua vocação de abrigar atletas de alto rendimento, além de receber jovens inscritos em escolinhas de tênis e eventos.

Parque Aquático Maria Lenk – O local vai receber as competições de saltos ornamentais e nado sincronizado durante os Jogos de 2016. Após o evento, manterá seu perfil voltado para o alto rendimento, mas seu papel será ampliado com a oferta de vagas para cerca de 800 jovens de projetos sociais.

Arena Rio – A arena se consolidou no cenário cultural e esportivo da cidade como palco de grandes shows, partidas de basquete da NBA e lutas de MMA. Em janeiro deste ano, foi inaugurado o Centro de Treinamento de Ginástica Artística, com 1.400 m², que é administrado pelo COB e permanecerá após os Jogos.

Arena do Futuro – Palco das competições de handebol é temporária e será transformada em quatro escolas municipais. Sua construção já foi planejada para que, após os Jogos, a arena seja desmontada.

Centro Aquático – O espaço também é construído com estruturas temporárias. Após os Jogos Olímpicos, suas peças servirão para a montagem de dois centros aquáticos menores que cujo local ainda está indefinido.

Parque de Deodoro - Localizado na divisa da Zona Norte com a Zona Oeste, Deodoro reúne grande quantidade de instalações do Exército e se encontra na área com a maior concentração de jovens da cidade e onde não há muitas opções de lazer. Após os Jogos, ele será divido em setores. Algumas instalações olímpicas permanecerão sendo usadas para atletas. Outras áreas vão virar área de lazer.

Campo de golfe – Sua administração deve ser repassada à confederação brasileira do esporte. O campo poderá ser utilizado gratuitamente pela população.