UOL Olimpíadas 2008 UOL em Pequim
 

Escola de talentos caça mais ouros nos Jogos

Rodrigo Bertolotto

Em Pequim

Duas placas na entrada já dão as credenciais do estabelecimento. “O berço de campeões mundiais”, diz uma delas. “A origem dos talentos olímpicos”, se vangloria a outra. Dentro, as paredes da Escola de Esportes Shichahai comprovam, mostrando os rostos de suas glórias para incentivar as crianças que estudam lá - muitas entraram com apenas quatro anos de idade.

Tem pôster de Feng Kun, capitã da equipe feminina de vôlei no ouro em Atenas-2004. Mas ela aparece ao vivo também para dar aulas por lá. Outro retrato mostra a lutadora Luo Wei, também dourada na última Olimpíada.

Na sala ao lado, uma foto de Wang Tao, ouro nas duplas masculinas do tênis de mesa em Barcelona-1992. Para completar a decoração, a imagem de Ma Yanhong, ginasta que ganhou um ouro e um bronze em Los Angeles-1984, edição que marcou o retorno da China aos Jogos depois de 36 anos de ausência.

A escola foi fundada em 1958, quando o país apenas iniciava seu isolamento dos organismos internacionais, incluindo o COI (Comitê Olímpico Internacional) e também a ONU (Organização das Nações Unidas).

A China teve um atleta em Los Angeles-1932, uns poucos em Berlim-1936 e Londres-1948. Para Helsinque-1952, enviou uma delegação que, além de chegar atrasada, foi proibida de participar porque o país recém-convertido ao comunismo não estava filiado a nenhuma federação. Resultado: a China só voltaria às Olimpíadas após a reaproximação nos anos 70 com os EUA, que contou até com uma “diplomacia do pingue-pongue”, com confrontos de tênis de mesa entre os dois países.

Flávio Florido/UOL

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Mesmo com o país no ostracismo esportivo, lá estavam os alunos aprendendo oito esportes, sendo seis olímpicos (ginástica, taekwondô, boxe, tênis de mesa, badminton e levantamento). O treino de esporte é à tarde. De manhã, é a vez do currículo normal de uma escola chinesa – incluindo na grade um curso de “Marxismo e Leninismo” e outro com os “Pensamentos de Mao Tsé-tung”.

Um deles Wang Nan, um mesa-tenista de nove anos. Ele é o único que se dispõe a falar com a imprensa que visita a escola. Seus coleguinhas ficam do outro lado da mesa dando risada da situação. Wang já enfrenta um teste de “media trainning” diante de três equipes de TV (uma russa, uma sueca e outra japonesa), mais a dupla da internet brasileira que assina esta reportagem.

“Quero ser campeão olímpico no futuro. Penso nisso todos os dias desde a hora que acordo até a que eu durmo”, dispara o menino. O treino acaba, e sua mãe, que estava assistindo à televisão em uma sala de espera o leva para casa.

Para quem não mora em Pequim, há um alojamento na própria escola. Estes têm a alimentação ainda mais controlada. A anualidade da escola é de US$ 1.000, o que é um valor alto para a população local, mas bem convidativo para estrangeiros que queiram se aperfeiçoar em esportes em que os chineses são craques.

Na aula de ginástica, garotinhos fazem exercício de solo trajando só cueca. O treino é puxado. Ao fundo, uma grande bandeira da China pintada na parede. O técnico da modalidade, Zhao Jin Bo, se mostra receoso quando o assunto é se a China tomará dos EUA o primeiro lugar no quadro de medalhas, afinal, em 2004, só três ouros distanciaram os países – e cinco ex-pupilos da escola Shichahai ganharam medalhas douradas em Atenas.

“É difícil saber se vamos ultrapassar os EUA no quadro de medalhas. Eles ainda são os melhores do mundo”, afirma diplomático. De qualquer forma, quatro estudantes do colégio vão estar na delegação olímpica para tentar o feito, que é apontado como possível por analistas e dirigentes do país.

Publicado no dia 28 de março de 2008

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