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UOL visita restaurante especializado em genitálias

UOL visita restaurante especializado em genitálias

Close "pornográfico" nas genitálias de cabrito; veja mais fotos

09/08/2008 - 04h42

Restaurante do pênis atrai com promessa de "viagra natural"

Rodrigo Bertolotto
Em Pequim (CHN)

"Michael Phelps está em Pequim atrás de seus oito ouros, nosso basquete quer recuperar sua majestade, e eu também tenho um objetivo na China. Saborear uma delícia da cozinha local: pênis." O repórter de TV norte-americana grava na frente do restaurante Guolizhuang, que serve o quitute que os chineses acreditam ser ainda mais afrodisíaco que o trio amendoim, catuaba e caracu para os brasileiros.

Na fachada, atrás dele há duas frases de auto-propaganda, como cabe quanto o assunto é genital. De um lado: "prove o pênis, converse sobre o pênis". Do outro: "não diga que não existe uma cultura do pênis."

Logo na entrada, antes das mesas, um mostruário oferece elixires. Por 500 yuans (R$ 125), pode-se adquirir seis frascos de extrato de genitália de urso, que promete ser uma espécie de "viagra natural". Já um exemplar de veado, seco e adornado por um laço, custava 100 yuans (R$ 25). Mais barato estava uma aguardente macerada meses com membros de cobra 200 yuans (R$ 50).

Já com o cardápio aberto, um prato oferece de bandeja nove tipos de "bian" (palavra em mandarim para o pipi): cavalo, burro, carneiro, boi, veado, búfalo, foca, cobra e cachorro. Por 1.920 (R$ 480), para três pessoas. Como meu bolso e o apetite meu e o da tradutora não davam para tanto, pedi um mais simples com três tipos (boi, cabrito e veado), além de testículos bovinos.

Pedido feito, perguntei onde era o banheiro. Quando a garçonete me levou até dentro dele, temi pelo pior, afinal, não sabia a procedência das genitálias. Contudo, ela se foi e pude apreciar a decoração. Em cima dos mictórios, um quadro com um sujeito erguendo halteres com seu instrumento e um retrato de um falo enorme talhado em madeira.

De volta à mesa, o proprietário, James Guo, veio praticar o que disse na frente do estabelecimento: "conversar sobre o pênis". A matéria-prima vem de fazendas da província de Neimeng, no norte do país, na fronteira com a Mongólia.

A cada pergunta, Guo inicia a resposta com uma risada. "Não, não há um público homossexual aqui. A freqüência é de homens querendo melhorar seu desempenho na cama. De uns tempos prá cá, vem muitos estrangeiros para experimentar", conta.

O restaurante foi criado há três anos, uma idéia da família de Guo, formada por especialista da medicina tradicional chinesa, que utiliza de tudo da natureza (minerais, plantas e animais) em chás, poções e pratos para melhorar a saúde, além, é claro, das massagens, mais assimiladas pelo Ocidente.

É hora de comer, e a garçonete chega com panelão sobre um forno elétrico. Dentro uma sopa de tartaruga com especiarias chinesas. Ao lado, pousam potes com três molhos: gergelim, gengibre e apimentado.

Finalmente, ela vai buscar a bandeja com as genitálias cortadas em rodelas e finamente decoradas entre folhas de alfaces, flores e camarões. A garçonete, que diz ter passado por teste rigoroso para obter o emprego, sai de cena, e o proprietário prepara a mesa de apoio onde ferverá o acepipe na sopa de tartaruga.

Guo despeja um tipo de pênis por vez, boi, cabrito e veado. Já fervidos, eles escapam dos palitinhos. Preciso garfá-los para passar nos molhos. Já os testículos de boi ficam todos comigo. "Mulheres não podem comer. Dá efeito reverso. Começa a surgir pêlos pelo corpo dela", explica Guo.

Terminada a comilança, temo dizer que o mais gostoso era o do veado com molho de gengibre. O proprietário me prometeu milagres após pagar a conta, falando que eu vou "make love" dez vezes durante a noite. Olho para a tradutora e não posso perder a piada: "Pode se preparar." Ela ri. Será que é um sorriso de nervoso, de educação ou de alegria?

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