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Do UOL Esporte
Em São Paulo
Ele é dono do maior rendimento de toda equipe olímpica brasileira, mas andava em crise. Neste domingo, o meia Ronaldinho Gaúcho enfim justificou a fama, que lhe rendeu duas vezes o título de melhor do mundo, e comandou a seleção brasileira na goleada sobre a Nova Zelândia por 5 a 0, a maior desde que Dunga assumiu o comando da equipe no segundo semestre de 2006, em atuação que ainda incluiu caneta, uma série de lances plásticos e a classificação antecipada para as quartas-de-final.
Ronaldinho festejou o momento que pode ser o início de uma recuperação pessoal. "É uma vitória que serve para dar confiança. É uma recompensa também por tudo que tenho feito", declarou após o show deste domingo. Uma situação que seria o suficiente para empolgar, mas o adversário estava longe de ser uma ameaça. Afinal os neozelandeses contam, em sua maioria, com estudantes universitários, e chegaram às Olimpíadas batendo equipes como Fiji, Ilhas Cook, Vanuatu, Papua Nova-Guiné e Ilhas Salomão.
Em outro esporte coletivo, o Brasil também soube aproveitar muito bem o fato de encarar atletas praticamente amadores para reanimar a torcida em sua empreitada pelo ouro. Apesar de não ter uma atuação exuberante, a seleção masculina de vôlei fez o suficiente para bater o Egito por 3 sets a 0, em sua estréia no torneio olímpico. O adversário não podia ser melhor para a equipe espantar a ameaça de crise, após a queda brusca na reta final da Liga Mundial, pois os africanos têm 11 de seus 12 jogadores atuando em seu campeonato nacional.
Se as competições por equipes deram alegrias e despacharam times de "principiantes", a primeira medalha do Brasil ainda não veio após dois dias. Porém dos ditos favoritos apenas o judoca João Derly não tem mais chances em Pequim. O gaúcho decepcionou neste domingo, caiu na segunda rodada da categoria até 66 kg e deixou o ginásio desolado com os olhos marejados. "Tem dias em que nada dá certo e esse foi um deles. Faltou um pouco de agressividade, mas acho que é do esporte", lamentou o atual bicampeão mundial, único do país a gozar de tal status na modalidade.
Badalado, o nadador Thiago Pereira também viu a medalha distante nos 400 m medley, sendo o último colocado entre os oito competidores e ainda piorando em mais de três segundos a sua melhor marca. Na mesma prova, o atleta que tem tudo para ser o grande nome das Olimpíadas começou a cumprir sua missão e arrebatou o primeiro dos oito ouros que buscará no Cubo d'Água. O norte-americano Michael Phelps teve trabalho, chegou a ter companhia de Laszlo Cseh e Ryan Lochte até a metade da prova, mas se impôs no final e conquistou o ouro em grande estilo quebrando o recorde mundial.
Após a prova, Phelps admitiu que esta foi sua despedida dos 400 m medley, evento em que é o atual bicampeão olímpico. Horas depois, ele voltou à piscina e se classificou para as semifinais dos 200 m livre. No domingo, o nadador pode chegar ao segundo triunfo no revezamento 4 x 100 m livre. Já a compatriota Katie Hoff, tida pela imprensa dos EUA como a versão feminina de Phelps, frustrou na primeira prova e sucumbiu diante da australiana Stephanie Rice nos 400 m medley. Com sorriso amarelo, Katie recebeu o bronze. Os norte-americanos também saíram derrotados nas outras duas finais do dia: revezamento 4 x 100 m livre feminino e 400 m livre masculino.
Uma performance que serve de alerta para quem tem na natação uma de suas armas para vencer a briga no quadro geral de medalhas contra a China, pois os anfitriões amealharam mais quatro triunfos à sua coleção (tiro, judô, saltos ornamentais e levantamento de peso) e agora têm seis ouros, quatro a mais que os EUA. Um importante capítulo deste "duelo" teve uma prévia neste domingo com as norte-americanas superando as chinesas nas eliminatórias da ginástica artística. No meio deste confronto direto estão as brasileiras, que participarão de quatro finais: equipes, individual geral (com Jade Barbosa e Ana Cláudia Silva), salto (Jade) e solo, esta com Daiane dos Santos, a outra gaúcha que tratou de "renascer" em Pequim.

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